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Níger conta pelo menos 58 mortos em ataques junto à fronteira com Mali

 

Na segunda-feira à tarde, “grupos de indivíduos armados ainda não identificados intercetaram quatro veículos que transportavam passageiros que regressavam do mercado semanal de Banibangou para as aldeias de Chinagodrar e Darey-Daye”, indicou um comunicado do Governo, lido esta noite na televisão estatal e citado pela agência France-Presse (AFP).

“Estes indivíduos procederam de forma cobarde e cruel à execução seletiva de passageiros. Na aldeia de Darey-Daye mataram pessoas a atearam fogo a celeiros”, acrescentou o documento.

O Governo referiu ainda que os “atos bárbaros” deixaram “58 pessoas mortas, uma pessoa ferida, vários celeiros e dois veículos incendiados”, roubando ainda outros dois veículos.

Banibangou é o lar de um dos mais importantes mercados semanais desta região, próxima da fronteira com o Mali.

A região de Tillabéri, localizada na zona das “três fronteiras” Níger-Mali-Burkina, frequentemente atacada por grupos ‘jihadistas’, é também altamente vulnerável à insegurança alimentar crónica, agravada pelo estado de emergência.

Os ataques não foram ainda reivindicados por nenhum grupo.

Além dos grupos ‘jihadistas’, a região de Tillabéri alberga também grupos antiterroristas, que os especialistas dizem ter levado a um aumento de milícias étnicas, alimentado as tensões intercomunitárias.

O ataque de segunda-feira teve contornos semelhantes aos realizados em 02 de janeiro e que resultaram na morte de mais de 100 pessoas, segundo um balanço do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

Em 12 de janeiro, a OCHA divulgou uma nota em que estimava que cerca de 10.600 pessoas tivessem abandonado 1.523 casas nas aldeias de Tchoma-Bangou e Zaroum-Dareye, no sudoeste do país, para outros locais da região de Tillabéri.

Esses ataques, bem como os que os antecederam na mesma região, levaram então ao encerramento ou suspensão de 17 mercados rurais nos departamentos de Abala, Banibangou e Ouallam, impactando o acesso da população a alimentos e a serviços sociais básicos.

Há vários anos que o Níger – tal como os vizinhos Mali e Burkina Faso – é atormentado por ataques ‘jihadistas’ nas zonas oeste e sudeste, tendo já morrido centenas de pessoas no processo.

Em maio passado, 20 pessoas, incluindo crianças, foram mortas em duas aldeias em Anzourou (região de Tillabéri) e há cerca de duas semanas, pelo menos 34 pessoas foram mortas e 100 outras ficaram feridas em Toumour, na região de Diffa (sudeste), perto da Nigéria, por membros do grupo ‘jihadista’ Boko Haram, de acordo com as autoridades.

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