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Moçambique: Resposta militar pode ser reforçada, deve ser complementada

“A resposta militar sempre esteve ao alcance das forças armadas, mas é preciso adequá-las aos desafios que lhes são exigidos. Isto significa colocar os homens certos nos locais certos”, referiu o jornalista à Lusa.

Por outro lado, quem dirigir as Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM) não pode olhar para o conflito no norte do país “num âmbito estreitamente militar”, referiu, acrescentando que é necessário que se perceba a natureza específica do tipo de terrorismo que está no terreno, com outras vertentes.

Para o ativista e diretor do Centro para Democracia e Desenvolvimento, Adriano Nuvunga, há necessidade de reforçar as capacidades e qualidades das forças armadas para as suas operações no terreno, mas ignorar os problemas de ordem política e social da região é um erro.

“As empresas multinacionais que atuam nesta região normalmente fazem referência a gastos de milhões com o conteúdo local, mas quem for analisar vai perceber que este dinheiro todo ficou em Maputo. Portanto, há claramente um sentimento de marginalização”, afirmou.

“Fundamentalmente, estamos perante um problema de governação, que passa, sobretudo, pelo desenvolvimento local. Historicamente, isto vem sendo negligenciado e estas comunidades têm o direito ao desenvolvimento”, alertou Adriano Nuvunga.

O diretor da organização não governamental Centro de Integridade Pública (CIP), Edson Cortez, refere que, por exemplo, “a província de Cabo Delgado nunca teve um orçamento retificativo, de modo a atender à situação de emergência que enfrenta”.

Embora as mudanças em curso sejam consequência da morte do anterior chefe do Estado-Maior General, Eugénio Mussa, para Cortez o executivo moçambicano tem dado uma atenção muito maior à ação militar, em relação à dimensão social e económica que alimenta o conflito.

“A aposta para travar este conflito não deve ser apenas no campo militar. Deve ser uma estratégia multifacetada que garanta o desenvolvimento local, evitando que mais jovens das comunidades afetadas se juntem aos grupos armados”, declarou o diretor da organização não governamental Centro de Integridade Pública (CIP), Edson Cortez.

O Governo tem tentado promover projetos de desenvolvimento local, através da Agência do Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), uma entidade estatal fundada em setembro de 2020 para abranger as três províncias da região norte de Moçambique, mas o impacto ainda não é notório, segundo os analistas – sendo que a ADIN está ainda numa fase de arranque e auscultação da comunidade.

Na última semana, o Presidente moçambicano indicou Joaquim Rivas Mangrasse como novo chefe do Estado-Maior General, sendo hoje empossado, em substituição de Eugénio Mussa, que morreu vítima de doença em fevereiro, três semanas após nomeado para o cargo.

Já na altura, diversos analistas convergiram na ideia de que as mexidas iam no sentido de reforçar a resposta das FADM.

Até à data da sua nomeação, Joaquim Rivas Mangrasse era chefe da Casa Militar da Presidência da República desde 2015.

Além da nomeação de um novo chefe do Estado-Maior General, Filipe Nyusi realizou alterações na estrutura das Forças Armadas de Defesa, com destaque para as indicações de Cristóvão Artur Chume para o cargo de comandante do ramo do Exército e Cândido José Tirano para comandante do ramo da Força Aérea.

As alterações na estrutura orgânica das Forças Armadas ocorrem num momento em que as autoridades moçambicanas se desdobram em operações e os ataques de grupos armados têm diminuído.

A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 670 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos.

Algumas das incursões foram reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico entre junho de 2019 e novembro de 2020, mas a origem dos ataques continua sob debate.

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