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Letónia suspende administração da vacina da AstraZeneca

As cerca de 10.000 doses dessa vacina ainda a distribuir serão armazenadas, as já distribuídas serão destruídas e a vacinação com este medicamento será suspensa, afirmou o diretor da Agência Estatal de Medicamentos da Letónia, Svens Henkhuzens, em conferência de imprensa.

Até ao momento, a AstraZeneca entregou 48 mil doses, o que a torna a mais utilizada ou a ser utilizada no país, onde já chegaram ou estão para chegar 117.765 doses de vacinas anti-covid-19.

A suspensão como medida de precaução foi anunciada em conjunto por vários órgãos responsáveis pela segurança de vacinas, medicamentos e cuidados de saúde: o Centro da Letónia para Prevenção e Controlo de Doenças, o Conselho Nacional de Imunização, a Agência Estatal do Medicamento e a Inspeção de Saúde.

No comunicado conjunto, os organismos afirmaram não haver casos suspeitos de trombose no país, como os detetados noutros países da União Europeia (UE), e acrescentaram que não há provas da relação causa-efeito entre a vacina e esses casos.

A suspensão foi decida na sequência de um escândalo na Letónia ligado às vacinas, já que o Governo desistiu de aceitar uma grande remessa de doses da Pfizer BioNTech, oferecidas pelo programa de compra conjunta da EU, e optou pelas da AstraZeneca.

Esta decisão esteve na origem da demissão do ex-ministro da Saúde da Letónia, Ilze Vinkele.

Investigações jornalísticas no país báltico sugerem que Henkhuzens e a agência que dirige foram responsáveis por enganar o Governo ao convencer as autoridades de que deveriam rejeitar o envio de vacinas da Pfizer BioNTech, já que exigem condições especiais de armazenamento e transporte.

O site de investigação Re:Baltica avançou ter encontrado afirmações enganosas em relatórios preparados no ano passado por Henkhuzens referentes a uma avaliação da vacina Pfizer BioNTech destinada às autoridades.

Já hoje, a Suécia tinha anunciado a suspensão da administração da vacina AstraZeneca até que a Agência Europeia de Medicamentos conclua a investigação sobre possíveis efeitos secundários, enquanto a Grécia referiu que vai manter o uso do medicamento.

Quase duas dezenas de países europeus – entre os quais Portugal, Espanha, França, Itália, Irlanda, Países Baixos, Alemanha, Islândia, Noruega ou Bulgária — e vários outros noutros continentes suspenderam o uso da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 por precaução após relatos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas.

O grupo farmacêutico anglo-sueco garantiu não haver “qualquer prova da existência de um risco aumentado” de se verificarem coágulos sanguíneos causados pela sua vacina.

O comité de especialistas da Organização Mundial da Saúde para a segurança de vacinas reúne-se hoje para discutir esta vacina.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.661.919 mortos no mundo – mais de 900 mil na Europa – resultantes de mais de 122,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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