Início Mundo Kosovo. Antigo comandante do UÇK detido na Bélgica

Kosovo. Antigo comandante do UÇK detido na Bélgica

 

O Tribunal especial internacional sediado em Haia, nos Países Baixos, composto por juízes internacionais e que investigam sobre crimes de guerra cometidos pelo UÇK durante o conflito (1998-1999), anunciou que Pjeter Shala “ficará detido na Bélgica, aguardando uma transferência para um local de detenção (…) em Haia”.

Também conhecido pela designação de “comandante Wolf”, Pjeter Shala foi um chefe militar local ativo no oeste do Kosovo durante o conflito que terminou em junho de 1999 na sequência de uma campanha de bombardeamentos da NATO contra a Sérvia e o Montenegro, e a consequente retirada das forças de Belgrado.

“Serão fornecidas outras informações em tempo útil”, incluindo a publicação da ata de acusação confirmada por um juiz, acrescentou o Tribunal.

O nome de Shala já tinha sido citado durante um processo por crimes de guerra que decorreu no Kosovo. Na qualidade de membro do UÇK, é suspeito de agressões e torturas cometidas em campos de prisioneiros do UÇK no norte da Albânia no final da guerra.

Após o final do conflito, diversos responsáveis do exército e polícia sérvios foram acusados de crimes de guerra por outros tribunais internacionais.

No entanto, diversos dirigentes dos separatistas armados albaneses também acabaram por ser indiciados por crimes cometidos em ações de represália contra sérvios, roma (ciganos) e opositores albaneses kosovares que discordavam do UÇK.

Hashim Thaçi, 52 anos, antigo Presidente do Kosovo e antigo chefe político do UÇK, indiciado por crimes de guerra no decurso do conflito com as forças sérvias, declarou-se não culpado em novembro de 2020 perante o Tribunal especial.

Thaçi e três outros suspeitos enfrentam acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por mortes, desaparecimentos forçados, perseguições, torturas e detenções ilegais, cometidos entre 1998 e 1999.

O Tribunal especial sobre o Kosovo foi anunciado há cinco anos com o apoio da União europeia (UE), após um relatório do Conselho da Europa que em 2011 citou o nome de Thaçi e outros membros da formação independentista.

O relatório incluía alegações sobre o alegado tráfico pelo UÇK de órgãos humanos extraídos a prisioneiros sérvios e albaneses kosovares detidos, que teriam sido previamente mortos.

O Kosovo, antiga província do sul da Sérvia, declarou a independência unilateral em 2008, e que Belgrado continua a não reconhecer.

Leia Também: Kosovo abre oficialmente a sua embaixada em Jerusalém