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Teerão pede a Londres para evitar politizar caso de Zaghari-Ratcliffe

 

O caso de Zaghari-Ratcliffe é “um caso judicial (…) transparente”, afirmou Saïd Khatibzadeh, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, numa conferência de imprensa na capital do país, Teerão.

“A melhor maneira de ajudar a resolver casos como este é evitar politizá-los” e “aconselho o governo do Reino Unido, uma vez que tomou o caminho da politização do caso, a permitir que o processo legal e judicial siga o seu curso”, prosseguiu o porta-voz.

Nazanin Zaghari-Ratcliffe, cidadã com dupla nacionalidade (iraniana e britânica), está detida e nas mãos da justiça iraniana desde 2016.

Acusada de tentar derrubar o regime de Teerão, acusação que sempre rejeitou e que originou uma pena de cinco anos de prisão por sedição, esta funcionária da Fundação Thomson Reuters — ramo filantropo da agência noticiosa com o mesmo nome — estava desde março de 2020 em prisão domiciliária com pulseira eletrónica na casa dos seus pais em Teerão, depois de ter saído da prisão em liberdade condicional devido à pandemia do novo coronavírus.

Seria libertada no passado dia 07 de março, no final da pena de prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

Mas foi novamente convocada para ir a tribunal, o que aconteceu no passado domingo, situação que frustrou as esperanças do seu marido e da filha de um regresso rápido a Londres, onde vivem.

Nazanin Zaghari-Ratcliffe, de 42 anos, está a ser processada por “propaganda contra o sistema [político da República Islâmica] por ter participado numa concentração em frente da embaixada iraniana em Londres em 2009”, segundo referiu o advogado da anglo-iraniana, citado pelas agências internacionais.

Como previsto, Nazanin Zaghari-Ratcliffe compareceu no último domingo diante de um tribunal em Teerão, aguardando agora a deliberação da instância judicial.

Em reação, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, classificou no domingo este novo processo judicial como “inaceitável” e “totalmente arbitrário”, instando Teerão a autorizar Zaghari-Ratcliffe a juntar-se “com a família no Reino Unido sem demora”.

Apesar de ter sido libertada no passado dia 07 de março, a cidadã anglo-iraniana viu o passaporte confiscado pelas autoridades iranianas e está proibida de sair do Irão.

Teerão, que não reconhece a dupla nacionalidade, negou de forma sistemática o acesso consular do Reino Unido a Zaghari-Ratcliffe durante o período da sua detenção, bem como tem encarado os apelos britânicos para a libertação da anglo-iraniana como uma ingerência nos assuntos internos do país.

De acordo com o marido de Nazanin, Richard Ratcliffe, a anglo-iraniana é uma “moeda de troca política” numa disputa sobre uma antiga dívida contraída pelo Reino Unido no âmbito de um negócio de armas com o Irão antes da revolução islâmica de 1979, que nunca foi honrada por Londres.

Na passada sexta-feira, a organização não-governamental (ONG) Redress avançou, após uma avaliação médica, que Nazanin Zaghari-Ratcliffe sofre de stress pós-traumático severo após ter sofrido “maus-tratos” enquanto esteve detida no Irão, defendendo ainda que a anglo-iraniana deve ser reconhecida por Londres como “vítima de tortura”.

Nazanin Zaghari-Ratcliffe não é a única cidadã anglo-iraniana que enfrentou a justiça do Irão.

Em fevereiro passado, um antropólogo anglo-iraniano condenado a nove anos de prisão no Irão relatou à imprensa britânica como conseguiu fugir a pé da República Islâmica, através das montanhas, para chegar ao Reino Unido e iniciar uma nova vida.

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