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Holandeses escolhem novo governo a partir de dia 15

 

A pandemia de covid-19 tem sido, aliás, o tema central das campanhas dos 37 partidos que se apresentam às legislativas deste ano, deixando de lado questões que costumavam ser centrais nos debates eleitorais, como a imigração e a política europeia.

Entre as medidas de segurança adotadas no âmbito do combate ao novo coronavírus inclui-se, precisamente, a antecipação da votação para os mais idosos ou eleitores de risco, sendo as mesas eleitorais abertas a 15 e 16 somente para estes eleitores.

Apesar da muita contestação — quer pelo escândalo dos abonos, quer pelas restrições impostas no âmbito da pandemia – o candidato favorito é, segundo as sondagens, o atual primeiro-ministro demissionário, Mark Rutte.

Apelidado de “primeiro-ministro ‘Teflon'”, pela sua capacidade de sair ileso de todas as crises políticas, Rutte foi, no entanto, forçado a renunciar em janeiro, depois de a Autoridade Tributária holandesa ter acusado erradamente milhares de pais de fraude em relação a atribuições de abonos a crianças e jovens.

O executivo também enfrentou, no último ano, manifestações crescentes e violentas contra as restrições anti-covid.

Apesar de os Países Baixos terem adotado restrições muito mais flexíveis do que os seus vizinhos, as medidas foram endurecidas na segunda vaga e levaram a fortes protestos.

Uma das maiores contestações foi à imposição do recolher obrigatório — entre as 21:00 e a 04:30 — considerado um atentado às liberdades fundamentais.

Depois da demissão, o governo continuou a administrar os assuntos do dia-a-dia até às eleições, tendo aliviado significativamente as restrições sanitárias em vigor, as mais severas no país desde o início da pandemia.

Os eleitores mais idosos e vulneráveis à infeção por covid-19 começam a votar para eleger a câmara baixa do parlamento no dia 15 e 16, mas a maioria só irá às urnas no dia 17.

Um total de 37 partidos, um número recorde desde 1922, disputa 150 assentos na câmara baixa do parlamento, com espetros que vão desde a direita liberal, do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, do primeiro-ministro, Mark Rutte), à extrema-direita, com o Partido pela Liberdade (PVV), de Geert Wilders, passando por formações como o “Jezus leeft (Jesus está vivo)”, “De Feestpartij (a festa da festa)” ou o “Jong (partido dos jovens)”.

Entre os grupos já presentes no Parlamento que se recandidatam está também o Denk, que representa principalmente pessoas de origem turca, o partido dos animais “Partij voor de Dieren” ou o partido dos seniores 50+.

O VVD tem atualmente 33 deputados e lidera uma coligação de quatro partidos, na qual se incluem o Apelo Democrático Cristão (CDA), a União Cristã (CU) e o D66, de centro-esquerda.

Se for eleito, Mark Rutte irá cumprir o seu quarto mandato consecutivo, o que o torna um dos líderes europeus mais longevos no poder.

As eleições holandesas serão acompanhadas de perto pela Europa, já que os Países Baixos são a quinta maior economia da área do euro e a voz mais forte do bloco, depois da Alemanha, na defesa da disciplina financeira.

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