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Guiné Equatorial: Embaixada em Portugal lança campanha de donativos

No âmbito da campanha “Todos Somos Bata”, que decorre até ao fim do mês, a embaixada equato-guineense pretende reunir todo o tipo de ajudas, num momento em que a Guiné Equatorial se debate com a resposta à catástrofe causada pelas explosões num quartel militar, que causaram mais de 100 mortos e mais de 600 feridos.

“Este é um tempo difícil. Estamos em confinamento, as pessoas estão em casa, as empresas estão fechadas. Por isso, decidimos começar a bater às portas, há muitos amigos que podem colaborar”, disse à Lusa o embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa e junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo o diplomata Tito Mba Ada, são necessários dois tipos de resposta: uma imediata, para dar resposta aos feridos e às pessoas que ficaram desalojadas; e, numa etapa posterior, “reconstruir a cidade de Bata”, a mais populosa da Guiné Equatorial.

O embaixador afirma que as maiores necessidades são, neste momento, de medicamentos, pessoal e material médico e também material de proteção pessoal contra a covid-19.

“Estamos no meio de uma pandemia, mas perante as explosões, as pessoas fugiram como puderam, sem roupas, sem material de proteção. Rompeu-se a disciplina, houve contactos [entre as pessoas]”, descreveu Mba Ada, que admitiu que as autoridades equato-guineenses esperam um aumento de casos de infeção pelo novo coronavírus.

Há, também, necessidade de alimentos e de tomar precauções redobradas em termos de saúde pública.

“É preciso um trabalho sério, com calma, para limpar tudo bem. Senão, depois pode haver cólera”, alertou.

Além disso, mais tarde será necessário material para reconstruir as habitações atingidas pelo impacto das explosões – um relatório das Nações Unidas divulgado na quarta-feira apontava para pelo menos 300 casas foram destruídas e o principal laboratório de testes à covid-19 ficou fortemente danificado.

“As empresas de construção têm muito material que é importante, mesmo que seja em segunda mão”, comentou Mba Ada.

Além de ter contactado autarquias e grandes grupos empresariais, o embaixador também dirigiu um pedido de ajuda a quatro grandes clubes de futebol: Sporting, Benfica, Futebol Clube do Porto e Sporting de Braga.

A embaixada vai disponibilizar dois espaços, um em Lisboa e outro no Porto, para recolher os bens doados.

A iniciativa conta com a colaboração da Confederação Empresarial da CPLP e da Federação das Mulheres Empresárias e Empreendedoras da CE CPLP.

A cidade portuária de Bata foi abalada em 07 de março por uma série de explosões num quartel militar, que provocaram a morte a mais de uma centena de pessoas e ferimentos em mais de 600, além de um número indeterminado de desalojados e avultados danos materiais.