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Myanmar: Tribunal acusa seis jornalistas de violação da ordem pública

A Justiça de Myanmar (antiga Birmânia) também alargou o prazo da prisão preventiva de cinco jornalistas da imprensa local e de Thein Zaw, fotojornalista da agência Associated Press, que pode ser condenado a até três anos de prisão, disse um familiar de um dos detidos.

Os juízes leram as acusações aos réus em duas audiências separadas – uma para cinco deles, incluindo o da AP, e outra para um jornalista local -, mantendo-os depois presos.

A mesma fonte indicou que os jornalistas estão bem e podem falar com os seus familiares enquanto aguardam a próxima audiência, que terá lugar no dia 24.

A embaixada dos Estados Unidos, que enviou um responsável para seguir o processo de cinco dos acusados, lembrou o “papel vital” dos media e advertiu que “silenciar a imprensa não impedirá que o mundo ou o povo da Birmânia [Myanmar] reconheçam as ações aberrantes da junta”.

Antes das audiências, a delegação da União Europeia em Myanmar disse que os repórteres foram detidos por fazerem o seu trabalho e que o tribunal deveria retirar as acusações e ordenar a sua libertação imediata.

“Ameaças a jornalistas são ameaças à democracia”, acrescentou a delegação europeia, que pediu que o direito de expressão e de informação seja protegido.

De acordo com a Associação para a Assistência a Presos Políticos (AAPP) em Myanmar, cerca de 40 jornalistas foram detidos desde o golpe de Estado, sendo que o total de detenções se eleva a 2.045 pessoas, das quais 1.726 permanecem sob custódia.

A Junta Militar, cuja repressão aos protestos pacíficos matou mais de 70 pessoas em mês e meio, principalmente devido a tiros de polícias e militares, também assedia sistematicamente jornalistas e meios de comunicação que cobrem as manifestações.

Muitos repórteres vivem sob ameaça de prisão e alguns mudam quase diariamente o local onde pernoitam com medo de incursões noturnas de militares em busca de dissidentes e críticos do regime.

Na segunda-feira, as autoridades anunciaram a revogação das licenças de meios Myanmar Now, 7Day News, Democratic Voice of Burma, Mizzima e Khit Thit News, que transmitem os protestos ao vivo e acompanham a repressão brutal realizada pelas autoridades.

No dia seguinte, os soldados invadiram as redações da organização de notícias Mizzima e da estação Kamayut Media, em Rangum, e prenderam um dos fundadores e um chefe de redação.

As perseguições também têm visado polícias que não concordam com as medidas da Junta Militar.

Um total de 264 pessoas, entre os quais se incluem 198 polícias e familiares, fugiram para a Índia desde o golpe de Estado de fevereiro por se recusarem a participar na repressão às manifestações diárias de protesto.

Um polícia birmanês, que não quis ser identificado, explicou à agência francesa de notícias AFP que deixou Myanmar e foi para a Índia porque “não queria servir a Junta Militar”, já que as forças policiais ao serviço dos generais “espancam e torturam” os manifestantes, além de deterem “mesmo aqueles que não estão a participar nos protestos e estão apenas a observar (a cena) ou a tirar uma fotografia”.

De acordo com o chefe de uma aldeia fronteiriça, há dezenas de pessoas à espera para entrar em território indiano, sendo que as autoridades indianas referiram ter já recusado a entrada de oito dos birmaneses que atravessaram a fronteira.

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