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Irano-britânica Nazanin Zaghari-Ratcliffe foi "vítima de tortura"

 

Condenada em 2016 a cinco anos de prisão por sedição, o que ela nega, Nazanin Zaghari-Ratcliffe foi libertada no final da pena, a 7 de março, da pulseira eletrónica que tinha há um ano devido à pandemia do novo coronavírus.

Mas foi novamente convocada para ir a tribunal no domingo, o que frustrou as esperanças do seu marido e da filha Gabriela de um regresso rápido a Londres, onde vivem.

Segundo o relatório médico, encomendado pela ONG Redress e entregue ao chefe da diplomacia britânica, a mulher de 42 anos sofre de stress pós-traumático “severo e crónico”, de depressão grave e de transtorno obsessivo-compulsivo.

Isto deve-se a “maus tratos” durante a prisão, incluindo mais de oito meses em isolamento, bem como à “continuada incerteza judicial” em relação ao seu caso e à separação da sua família.

Tem ainda problemas físicos, como nódulos no peito e dores, “que não foram avaliados ou tratados adequadamente” enquanto esteve presa, adianta o documento elaborado pelo Conselho Internacional para a Reabilitação de Vítimas de Tortura na sequência de um exame médico virtual realizado no final de outubro, cujas conclusões foram transmitidas à agência France-Presse.

O relatório conclui que existe uma necessidade “urgente” de a ex-detida poder beneficiar de um tratamento médico e psiquiátrico no Reino Unido, num “ambiente não ameaçador”.

Assim, a Redress, que acompanha a família desde o início do caso, exortou num comunicado o governo britânico a “reconhecer publicamente Nazanin Zaghari-Ratcliffe como uma vítima de tortura”.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, num contacto por telefone com o presidente iraniano, Hassan Rohani, pediu a “libertação imediata” de todos os binacionais irano-britânicos detidos e o regresso de Nazanin Zaghari-Ratcliffe, funcionária da fundação Thomson Reuters.

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