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Próximas eleições podem não resolver crise política com dois anos

“Não é inconcebível que (o primeiro-ministro Benjamin) Netanyahu continue a liderar um Governo transitório até uma quinta campanha”, disse Yohanan Plesner, referindo-se a cenários pós-eleitorais no Estado hebreu.

O presidente do Israel Democracy Institute, sediado em Jerusalém, que falava numa conferência de imprensa virtual, admitiu que a possibilidade de uma “quinta eleição”, talvez “em setembro”, “não é muito alta”, mas existe.

E este é, segundo Plesner, um sinal da crise que o país atravessa e que o conduziu à convocação das quartas eleições legislativas em dois anos.

A “mais longa crise política em Israel”, disse o analista, tem a ver com a “situação única” de Netanyahu, que está a ser julgado por três casos de corrupção. Foi o primeiro chefe de governo em funções a ser acusado destes crimes na história de Israel.

Mas também com “as fraquezas do sistema eleitoral israelita” que “dificultam a formação de um governo”.

Um partido ganha representação parlamentar em Israel se obtiver 3,5% dos votos, pelo que existem muitos partidos, vários pequenos, obrigando a grandes coligações para obter uma maioria no Knesset e reduzindo a estabilidade, explicou o analista.

“O número mágico em Israel é 61”, recordou o antigo deputado (entre 2007 e 20013), referindo-se à maioria de votos no parlamento israelita (Knesset), com 120 lugares, necessária para aprovar um executivo.

Em relação ao próximo escrutínio, Plesner previu mais dois cenários pós-eleitorais em que seria possível a formação de um Governo: a coligação entre o partido de Netanyahu (Likud), os ultraortodoxos e o partido de Naftali Bennett (Yamina) e uma grande coligação da direita, centro e esquerda, cujo principal objetivo seria afastar Netanyahu.

Se nenhuma delas conseguir os “mágicos” 61 votos no Knesset, o primeiro-ministro há mais tempo no poder em Israel continuará em funções, pelo menos por mais uns meses, embora o analista assinale que um governo interino “é frágil” e confie que o risco de se continuar em crise conduza a “uma maior flexibilidade” por parte dos políticos.

Assinalou que a grande coligação contra Netanyahu “pode ser muito instável, mas também pode ser estável”, se “apostar na reforma económica” e numa “agenda ampla para tentar unir o país depois de vários anos de grande divisão”.

Para tal, poderão também incitar uma “reforma eleitoral”, adiantou.

As próximas eleições serão as segundas a decorrer em tempos de pandemia e Plesner indicou que a recuperação pós-covid será um dos temas em destaque no escrutínio.

O analista considerou a propósito que o desapontamento do público em relação ao modo como se lidou com a epidemia levou a um aumento da desconfiança nas instituições.

Nas legislativas de março de 2020 já existiram assembleias de voto especiais para as pessoas infetadas ou suspeitas de infeção.

Desta vez, o diretor da Comissão Nacional de Eleições, Orly Adas, disse que dezenas de autocarros serão convertidos em assembleias de voto para pessoas em quarentena, mas também para diminuir o número de votantes nas restantes, segundo o jornal ‘online’ The Times of Israel, que indica existirem atualmente perto de 37.000 casos ativos do vírus em Israel e dezenas de milhares de pessoas em quarentena.

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