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Myanmar: EUA decretam sanções aos filhos do chefe da Junta Militar

Aung Pyae Sone e Khin Thiri Thet Mon são filho e filha do comandante chefe das Forças Armadas birmanesas, general Min Aung Hlaing, que já tinha sido alvo de sanções por parte dos EUA, refere o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em comunicado.

Segundo o Departamento do Tesouro, Aung Pyae Sone e Khin Thiri Thet Mon controlam várias empresas “que lucraram diretamente com a posição do pai e com a sua influência nefasta”.

O comunicado precisa que Aung Pyae Sone ganhou em 2013 um contrato de locação de 30 anos para um restaurante e uma galeria sem qualquer concorrente e, até 2018, os alugueres representavam apenas 1% do mercado de locação na mesma área.

Por sua vez, Khin Thiri Thet dirige a produtora Seventh Sense com um contrato de exclusividade com um ator que participa na publicidade da Mytel, operadora de telefones criada pelo general Min Aung Hlaing.

As sanções implicam o congelamento dos seus possíveis ativos nos Estados Unidos e a proibição de acesso ao sistema financeiro norte-americano.

“Os líderes do golpe de estado e os membros das suas famílias não devem poder continuar a lucrar com o regime que usa a violência e aperta o controle sobre a democracia”, disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, num outro comunicado.

Os Estados Unidos “condenam” os “ataques horríveis” das forças de segurança ao movimento de protesto em Myanmar, que deixaram pelo menos 53 mortos, e a detenção de mais de 1.700 “políticos, médicos, defensores dos direitos humanos, jornalistas , dirigentes sindicais e pessoas no exercício de seus direitos”, sustentou.

O líder da Junta Militar da Myanmar e o vice-presidente estão sujeitos a sanções desde o final de 2019 pelo papel na repressão sangrenta dos muçulmanos rohingya.

O exército birmanês justificou a tomada do poder, a 01 de fevereiro, por uma alegada fraude eleitoral nas eleições de novembro, em que os observadores internacionais não detetaram qualquer fraude e em que a Liga Nacional pela Democracia, partido liderado por Suu Kyi, foi o vencedor, assim como já tinha ocorrido em 2015.

Dias depois do levante militar, durante o qual parte do Governo eleito de Suu Kyi foi preso, a junta militar cortou o acesso a redes sociais como Facebook e Twitter para impedir que os cidadãos organizassem e compartilhassem vídeos, mas muitos contornam o bloqueio por meio de VPN.