Início Tecnologia Entrevista a Giancarlo Esposito, de ‘Godfather of Harlem’ e ‘Mandalorian’

Entrevista a Giancarlo Esposito, de ‘Godfather of Harlem’ e ‘Mandalorian’

O lançamento de um novo separador no Disney+ permitiu à Disney apostar em séries mais diversificadas e destinadas a um público mais adulto. Desde a comédia até à ficção científica, o Star reúne séries para todos os gostos e ‘The Godfather of Harlem’ é uma das mais recentes e principais apostas para o separador.

‘The Godfather of Harlem’ conta com participações de Forest Whitaker, Vincent D’Onofrio e Giancarlo Esposito, ator com quem o Notícias ao Minuto conseguiu estar à conversa por alguns minutos. Ao contrário de ‘Breaking Bad’ e de ‘The Mandalorian – onde Esposito interpretou os vilões Gustavo Fring e Moff Gideon (respetivamente) – em ‘The Godfather of Harlem’ o ator teve a oportunidade de interpretar o ‘lado bom da força’.

Trata-se de Adam Clayton Powell, uma figura histórica que teve um papel nuclear na criação e aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964, responsável por estabelecer nos EUA uma sociedade com maior igualdade de direitos entre géneros, raças, nacionalidades e religiões.

Foi a propósito da chegada de ‘The Godfather of Harlem’ ao Disney+ – marcada para esta sexta-feira, dia 12 – que estivemos à conversa com Giancarlo Esposito. Além de explicar mais sobre a série e a personagem que interpreta, o ator também falou sobre os desafios de filmar durante a pandemia de Covid-19.

Além disso, tratando-se de um dos atores de ‘The Mandalorian, não perdemos a oportunidade de questionar Giancarlo Esposito sobre o progresso da próxima temporada da série de ‘Star Wars’.

Abaixo pode ler a entrevista na íntegra.

Notícias ao Minuto© Disney

Mais recentemente, o Giancarlo Esposito tornou-se conhecido pelo seu papel em ‘The Mandalorian’. Porém ‘The Godfather of Harlem’ é um drama histórico. Sobre o que é esta série?

O ‘The Godfather of Harlem’ é um drama histórico sobre ‘Bumpy’ Ellsworth Johnson, interpretado por Forest Whitaker, que é o ‘padrinho’ que está a lutar com poder e dinheiro pela indústria da droga, prostituição e álcool do Harlem com ‘Chin’ Gigante. Por isso é uma história poderosa que aconteceu realmente.

O Giancarlo Esposito interpreta um político, Adam Clayton Powell. Sente alguma responsabilidade em interpretar uma personalidade como Powell num ano em que a agitação pública atingiu nos EUA novos níveis?

Sim, sinto uma grande responsabilidade a interpretar esta personagem devido, como sabe, ao que está a acontecer no mundo este ano. Estivemos num momento em que saímos do Black Lives Matter, com todo o mundo a protestar para acabar o racismo sistémico e para realmente termos o mundo que queremos. E só foi no final desse movimento que acordámos e ficámos ‘Meu Deus, o que é que tem de ser mudado e como é que o mudamos?’. Bem, precisamos que os legisladores operem essa mudança.

O Adam Clayton Powell foi um legislador, um congressista, assim como um pastor e portanto ele tinha poder. O que adoro em ‘The Godfather of Harlem’ é que o poder específico de Powell estava em escrever projetos de leis e emendas e a Emenda de Powell foi particularmente forte. A Lei dos Direitos Civis – que será tema na segunda temporada que estamos a filmar – foi uma parte muito importante da vida de Powell. Não tivesse passado, não estaríamos onde estamos hoje.

Ainda assim, ‘The Godfather of Harlem’ traça semelhanças com o passado e os dias de hoje… mas acredito que a força de Powell era a força que precisávamos na altura. Precisávamos da força de alguém que pudesse falar a linguagem dos políticos de Washington D.C. e que os fizesse ouvir. E Powell foi esse homem.

Notícias ao Minuto© Disney

Quais foram os traços da personagem de Powell que sentiu que eram mais importantes representar?

Ele era um ser humano muito completo relativamente à forma como vivia a sua vida. Mas o que é mais relevante é que a sua esperteza e carisma eram muito, muito importantes e, combinados com a sua inteligência e capacidade de escrever projetos de lei, para mim essas foram as coisas mais importantes de representar.

Era também a sua humanidade. O Powell tinha um lado humano que o levou a compreender ‘Bumpy’ Ellsworth Johnson. Sim, o Powell continuava a referir-se a ele como um criminoso. Mas ele dava-lhe o respeito de ser alguém que a comunidade admirava. E foi quando ele percebeu que tinha de ser capaz de respeitar o que o ‘Bumpy’ fazia e não o julgar, mas incentivar o ‘Bumpy’ a trabalhar com ele.

Portanto, O Giancarlo Esposito está agora a trabalhar na segunda temporada? Como é trabalhar nestas condições?

Sim, estamos agora a filmar a segunda temporada. É diferente, leva mais tempo a trabalhar desta forma porque temos máscaras, viseiras faciais e estamos cobertos. Somos sujeitos a três testes Covid por semana. Estamos gratos à Disney por ser tão cuidadosa. Se – Deus nos livre – alguém testar positivo, temos de alterar a calendarização, ver quem foi exposto ou esteve perto dessa pessoa…

Temos tido muita sorte. Pode ser feito. Trabalhas numa bolha e manténs-te limpo, lavas as tuas mãos, usas a tua máscara, não respiras para cima de ninguém e não deixas que ninguém respire para cima de ti.

Notícias ao Minuto© AMC

Sente que, num projeto como este, a série perde alguma coisa com este tipo de produção? Enquanto ator, sente-se distante de outras pessoas como atores ou produtores?

Sim, sinto falta de alguns argumentistas que normalmente estariam no ‘set’ e com quem poderias falar em pessoa, mas temos telemóveis. Isso funciona. Temos o Zoom e isso também funciona. Há a sensibilidade de sermos cautelosos e cuidadosos, o que por vezes causa distanciamento até que chegas à mesma divisão.

A equipa tem de sair por um lado da divisão, o elenco tem de entrar por outro lado, e há sempre aquele momento em que tiras a máscara e tens de falar de forma mais próxima com alguém. Há um pouco de preocupação mas depois lembras-te ‘Oh, eles foram testados ontem tal como eu’, e aí podes aproximar-te.

Porque nunca sabes com quem é que as outras pessoas estiveram, percebes? Não sabes onde é que as pessoas estão quando estão fora do ‘set’. A única forma de ter a certeza que estão ‘limpos’, é com o teste Covid. Portanto, coisas complicadas mas, assim que o fazes por algumas semanas, começas a chegar ao que estás aqui a fazer e começas a trabalhar. Que é a parte mais importante.

O Adam Powell é uma figura história e tem um grande ‘peso’ e pressão. Sente mais pressão a interpretar Powell ou uma personagem para os fãs de ‘Star Wars’?

É interessante porque é um diferente tipo de trabalho, no que diz respeito a pressão. Não sinto mais pressão… Bem, talvez sinta mais pressão porque há um registo histórico sobre o Adam Clayton Powell e quero que as pessoas conheçam esse registo de forma honesta, verdadeira e orgânica.

Por isso sim, não quero perder nenhuma ‘nuance’ na interpretação do Powell porque há historiadores que conhecem o registo histórico e eu quero representar esse registo, e quem ele foi, para as pessoas que não o conheçam.

Portanto, quando o Professor Smalls – que trabalhou como guarda-costas do Adam Clayton Powell e que pertenceu ao Nation of Islam, está agora nos seus 80 anos – vem ao ‘set’ e diz ‘Bem, tu andas como ele, falas como ele…’ Aí é quando eu sei que fiz o trabalho da forma certa.

Mas para mim é igualmente importante interpretar o Moff Gideon [de ‘The Mandalorian’] e criar uma história para esta personagem e de quem ele é, mesmo que nunca o tenhas visto antes. E por isso, diria que a responsabilidade é maior porque, uma vez que estou a interpretar uma personalidade histórica, mais tarde pode haver uma comparação. E com o Moff Gideon eu quero que essa história esteja lá também para que não acabe por olhar para outros Moffs [interpretados por outros atores], para a forma como o interpretaram e do que fizeram com a personagem.

Em suma, é diferente. É um tipo diferente de pressão por isso penso que é quase equivalente. Porque, sabes, em ‘The Mandalorian’ posso dar mais de mim, posso integrar mais de mim na personagem e com o Powell tenho de ser o Powell, ele toma conta de mim. Ainda tenho de dar tudo com ‘The Mandalorian’ mas posso adicionar outros elementos que sinto que podem melhorar a personagem e, por conseguinte, a atenção do público.

Notícias ao Minuto© Disney

Uma vez que estamos a falar sobre ‘The Mandalorian’, o Giancarlo estará na terceira temporada?

Espero que sim [risos]. Espero que sim. O que adoro em ‘The Mandalorian’ é que quase podia ser uma série de antologia. Porque, de momento, é sobre o Mando e o Baby Yoda a viajar para diferentes partes da galáxia, conhecerem diferentes personagens e ultrapassarem os obstáculos pelo caminho até que o Baby Yoda chegue a um local onde esteja confortável.

Mas acredito que é importante ter um grande vilão, que coloque pressão nos protagonistas porque os está a perseguir. Penso que já começaram a gravar [a segunda temporada]. Estão a filmar ‘The Mandalorian’ em conjunto com ‘The Book of Boba Fett’, por isso estão com as mãos ocupadas.

Mas mal posso esperar por voltar e mostrar mais do que sou capaz.