Início Mundo Irão retira pulseira eletrónica a anglo-iraniana mas avança com processo

Irão retira pulseira eletrónica a anglo-iraniana mas avança com processo

Nazanin ZaghariRatcliffe, cidadã com dupla nacionalidade (iraniana e britânica), está nas mãos da justiça iraniana desde 2016.

Acusada de tentar derrubar o regime de Teerão, acusação que sempre rejeitou, esta funcionária da Fundação Thomson Reuters — ramo filantropo da agência noticiosa com o mesmo nome — estava desde março passado em prisão domiciliária com pulseira eletrónica na casa dos seus pais na capital iraniana, Teerão, depois de ter saído da prisão em liberdade condicional.

“A sua pulseira eletrónica foi retirada e a sua primeira deslocação será para ver a avó”, avançou na rede social Twitter a deputada britânica Tulip Siddiq, que tem estado em contacto com a família de Nazanin ZaghariRatcliffe.

Mas, segundo a deputada, a cidadã anglo-iraniana “foi convocada novamente para ir a tribunal no próximo domingo”.

O advogado de ZaghariRatcliffe, Hoyat Kermani, afirmou, por sua vez, que a cliente, que foi detida em 2016 durante uma visita familiar em Teerão, perfez hoje cinco anos de prisão, o que desencadeou a retirada da pulseira eletrónica.

Apesar de ter sido libertada hoje, o advogado disse, em declarações à agência iraniana oficial IRNA, que o Tribunal Revolucionário Islâmico fixou uma nova data para examinar o segundo caso contra Nazanin ZaghariRatcliffe, que será no próximo dia 14 de março (domingo).

As acusações contra ZaghariRatcliffe neste novo caso estão relacionadas com alegadas atividades de propaganda contra o regime teocrático do Irão.

Momentos depois da divulgação da libertação de Nazanin ZaghariRatcliffe, o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, exigiu o regresso da cidadã ao Reino Unido.

“Saudamos a remoção da pulseira eletrónica de Nazanin ZaghariRatcliffe“, escreveu no Twitter o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, acrescentando, no entanto, que “o tratamento que o Irão continua a infligir é intolerável”.

“Deve ter autorização para regressar ao Reino Unido assim que possível para se encontrar com a família”, reforçou o ministro.

Nazanin ZaghariRatcliffe não é a única cidadã anglo-iraniana que enfrentou a justiça do Irão.

Em fevereiro passado, um antropólogo anglo-iraniano condenado a nove anos de prisão no Irão relatou à imprensa britânica como conseguiu fugir a pé da República Islâmica, através das montanhas, para chegar ao Reino Unido e iniciar uma nova vida.

“Fiz uma mochila com um ‘kit’ de higiene, alguns livros e um computador”, afirmou então o académico de dupla nacionalidade, identificado como Kameel Ahmady, em declarações à estação pública britânica BBC, ao relatar a sua fuga ilegal, de contornos rocambolescos, do território iraniano.

Ahmady caminhou ao longo da fronteira montanhosa do Irão para fugir da Guarda Revolucionária iraniana, um percurso que descreveu como “muito frio, muito longo, muito escuro e muito assustador”.

Kameel Ahmady foi libertado pelas autoridades iranianas em novembro passado, após três meses em prisão preventiva.

O académico foi alvo de um “inquérito preliminar” por suspeitas “de ligações a países estrangeiros e a institutos filiados a serviços (de informações) estrangeiros”.