Início Notícias Presidente da Boeing abdicou de salário, recebeu 14 milhões em benefícios

Presidente da Boeing abdicou de salário, recebeu 14 milhões em benefícios

A Boeing confrontou-se no ano passado com as consequências de dois acidentes mortíferos, que envolveram o seu modelo 737 Max, e uma redução acentuada na procura de aparelhos, devido á pandemia do novo coronavirus.

As suas perdas ascenderam a 12 mil milhões de dólares e anunciou planos para eliminar 30 mil empregos.

David L. Calhoun, que se tornou presidente executivo em janeiro de 2020, recebeu 269.231 dólares de salário até prescindir dele em março. Recebeu ainda 289.715 dólares, a outros títulos, como uso de aviões, fundo de pensão e despesas de segurança da habitação.

Mas a maior parte da compensação paga pela Boeing, acima dos 20 milhões de dólares nas suas próprias estimativas, segundo documentação entregue hoje ao regulador bolsista, está associada a ações e têm um período de referência de três anos, assumindo que continua à frente dos destinos da empresa.

Aquele montante reparte-se em ações avaliadas em sete milhões de dólares, pelo regresso do Max ao serviço, depois de ter estado sem voar desde 2019, mais ações avaliadas em 10 milhões, para o compensar por sair do emprego anterior no Blackstone Group e outros 3,5 milhões por prémio de desempenho no longo prazo.

Calhoun, de 63 anos, era administrador da Boeing já há vários anos quando foi nomeado presidente-executivo, depois do despedimento de Dennis Muilenburg, em dezembro de 2019.

A construtora aeronáutica apresentou à comissão reguladora do mercado de capitais (SEC, na sigla em Inglês) a documentação destinada à assembleia geral de acionistas, que se vai desenrolar, de forma virtual, em 20 de abril.

Os acionistas vão eleger 10 administradores.

Fundos de pensões dos Estados de Nova Iorque e do Colorado estão a processar atuais e antigos administradores e executivos, entre os quais Calhoun e Muilenburg, em um tribubal do Estado do Delaware. Os fundos acusam os responsáveis da empresa de um controlo displicente da segurança durante o desenvolvimento do 737 Max e depois do primeiro dos dois acidentes, que provocaram a morte a 346 pessoas.

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