Início Notícias ONG denuncia abandono de migrantes na fronteira norte de Itália

ONG denuncia abandono de migrantes na fronteira norte de Itália

Segundo a ONG, muitas destas pessoas estão acampadas na zona dos Alpes, junto a cidades como Bolzano, Trieste ou Oulx, a enfrentar as duras condições meteorológicas do inverno, enquanto outras estão na cidade costeira de Ventimiglia, na fronteira entre França e Itália.

Estas pessoas não têm autorização para atravessar a fronteira e ficam retidas na zona.

Apesar dos números atuais serem inferiores em comparação aos dados de anos transatos, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) defendeu hoje, num comunicado, que a situação destas pessoas não deve ser escondida, mencionando “as humilhações, a violência, as dificuldades e o assédio que sofrem homens, mulheres e crianças” que se encontram retidos na fronteira, depois de atravessar o território italiano em direção a norte ou depois de percorrer a denominada “Rota dos Balcãs” (integrada por países como a Macedónia do Norte, Sérvia, Croácia e Eslovénia).

A localidade de Ventimiglia, entre a cidade italiana de Génova (norte) e a cidade francesa de Nice (sul), conhece bem esta situação, segundo recordou a MSF.

Em 2015, centenas de migrantes ficarão ali retidos, porque as autoridades francesas impediram a passagem na fronteira.

Atualmente, os migrantes que chegam à região vivem nas ruas, procurando refúgio em edifícios abandonados ou na praia, uma vez que o único centro de acolhimento da zona foi encerrado em julho passado, denunciou a MSF, relatando que o pouco apoio prestado a estas pessoas é através de voluntários ou de vizinhos mais solidários.

Por outro lado, muitos migrantes procuram uma forma de passar para o território francês através dos Alpes, com a MSF a estimar que em três anos mais de 10 mil pessoas terão feito a travessia via a localidade italiana de Oulx.

A ONG referiu que a atual pandemia da doença covid-19 fez decrescer os números das travessias e, no verão, pelo menos 500 migrantes atravessaram as montanhas após terem entrado em Itália pela “Rota dos Balcãs”, muitos deles oriundos do Irão, Afeganistão ou do norte de África que optaram assim por evitar a travessia do Mediterrâneo Central (uma das rotas migratórias mais mortíferas, que parte da Líbia, entre outros países).

No mesmo comunicado, no qual a MSF relatou situações em outras localidades fronteiriças, a ONG lamentou “a quase total ausência de instituições estatais” para cuidar destas pessoas, recordando que é da “responsabilidade do Governo” adotar políticas migratórias que assegurem a proteção e reduzam o sofrimento destes migrantes que continuam a chegar.

“As condições de acolhimento desumanas, a violência e os abusos às mãos da polícia, e as rejeições reiteradas na fronteira não impedem as pessoas de continuarem a procurar uma vida digna, mas causam sofrimento”, advertiu a ONG, apelando às autoridades italianas para acabarem com as “repetidas rejeições” de migrantes intercetados.