Início Mundo Milhares de argelinos regressam às ruas para exigir fim do regime militar

Milhares de argelinos regressam às ruas para exigir fim do regime militar

Hoje foi a segunda sexta-feira consecutiva em que o movimento popular de oposição, o designado Hirak, voltou às ruas, desde que os protestos foram interrompidos há cerca de um ano devido à pandemia do novo coronavirus.

Apesar das restrições sanitárias e da presença policial, os manifestantes protestaram em Argel e cidades como Bejaia, Tizi Ouzou, Constantina, Annaba e Orán com a frase habitual “Querermos um Estado civil, não militar”, “Que a máfia do poder se vá embora” e “Liberdade opara todos os presos de consciência”.

Em Argel, vigiados por unidades antimotim, polícias, agentes dos corpos especiais da policía e centenas de agentes secretos, infiltrados à paisana, os manifestantes percorreram o centro da capital, como o faziam todas as terças e sextas-feiras, desde o início dos protestos em fevereiro de 2019, para impedir que o então presidente, Abdelaziz Bouteflika, concorresse a um quinto mandato consecutivo.

Conseguido este objetivo, as manifestações prosseguiram e viraram-se contra o regime, que as procurou reprimir por todos os meios.

Às reivindicações habituais, os manifestantes acrescentaram hoje a denúncia de torturas praticadas sobre os presos.

Hoje mesmo o Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACDH) da ONU exigiu às autoridades argelinas que terminem de imediato a violência contra os manifestantes pacíficos e o fim das detenções arbitrárias.

“Estamos muito preocupados pela deterioração da situação dos direitos humanos na Argélia e pela contínua repressão contra os membros do movimento pró-democrático do ‘Hirak‘”, declarou Rupert Colville, um porta-voz do Alto Comissariado na habitual conferência de imprensa da ONU em Genebra.

O porta-voz aludiu a “relatórios credíveis” que indicam que perto de mil pessoas foram perseguidas por terem participado no movimento do ‘Hirak‘ ou por terem publicando nas redes sociais mensagens críticas face ao Governo.

Referiu ainda que “pelo menos 32 pessoas estão atualmente detidas pelo exercício legítimo dos seus direitos fundamentais, e alguns são passíveis de longas penas, enquanto outros ainda permanecem em prisão preventiva”.

O ACDH também recebeu “alegação de tortura e de maus-tratos sob detenção, incluindo violências sexuais”.

Desta forma, apela ao fim de todo o recurso à violência contra os manifestantes pacíficos e “o fim das prisões e detenções arbitrárias”.