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Milhares de árabes israelitas protestam contra violência policial

A manifestação de hoje, que juntou 15.000 pessoas segundo os organizadores, foi o protesto mais participado dos que decorrem desde há dez semanas na localidade de Um al Fahem, norte de Israel, e atraiu milhares de árabes provenientes de vários pontos do país.

Na passada sexta-feira a polícia de intervenção carregou sobre uma concentração e provocou pelo menos 32 feridos, incluindo o deputado da Lista Unida árabe, Yousef Jabareen, suscitando um aumento das críticas contra o uso excessivo da força pela polícia.

O também deputado da Lista Unida, Ayman Odeh, assegurou que as entradas na localidade foram previamente bloqueadas para impedir o protesto de hoje. “A polícia não deve deter as manifestações, exige-se que impeça o crime e os criminosos”, disse nas suas redes sociais.

Desde há anos, a minoria árabe — 20% da população e que inclui palestinianos e descendentes que permaneceram no interior de Israel após a fundação do Estado em 1948 — regista altos níveis de criminalidade que aumentaram em 2021 com pelo menos 22 mortos em circunstâncias violentas, indicou a organização não governamental (ONG) Iniciativa Abraham.

A tensão está a aumentar a menos de três semanas das eleições legislativas em 23 de março, com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a tentar seduzir este setor da população, após ter dirigido durante anos uma campanha contra estas comunidades.

Os manifestantes expulsaram do protesto o deputado Mansour Abbas, que recentemente se manifestou disposto a apoiar Netanyahu e que concorrerá às legislativas israelitas separado da Lista Unida, a aliança árabe que se tornou a terceira força política no parlamento nas últimas eleições.

O Governo israelita aprovou esta semana um plano de 37 milhões de euros para conter a violência nestas localidades e garantir maior presença policial, face ao aumento do descontentamento nestas comunidades.