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Justiça alemã suspende vigilância de partido de extrema-direita AfD

Na quarta-feira, o serviço de informações de segurança da Alemanha decidiu colocar o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) sob vigilância policial, alegando que provocou um aumento dos ataques à ordem democrática.

O Tribunal Administrativo de Colónia anunciou hoje a suspensão dessa decisão – enquanto se aguarda a análise de um recurso sumário interposto pela formação política — alegando que os serviços de inteligência não tinham “garantido suficientemente” que a vigilância não fosse tornada pública antes de uma decisão sobre a ação de recurso.

Este argumento levou o presidente do AfD, Jorg Meuthen, a ironizar, dizendo que “um serviço de inteligência que não pode guardar segredos, não serve para nada”.

O tribunal disse ainda que a publicidade dada a esta medida interfere “de forma inaceitável” na igualdade de oportunidades entre os partidos, sete meses antes das eleições gerais que se realizarão na Alemanha.

O Gabinete de Proteção à Constituição colocou recentemente o AfD entre as organizações que merecem atenção, o que permite às autoridades monitorizar as suas comunicações ou mesmo introduzir informantes nas suas fileiras.

Contudo, a justiça alemã considerou que a vigilância não pode incidir sobre os deputados e candidatos do partido às próximas eleições regionais e nacionais.

A decisão de colocar o AfD sob vigilância acarreta um significado político relevante na Alemanha, já que é uma decisão reservada para grupos ultra-radicais.

O partido de esquerda radical Die Linke, resultante do Partido Comunista da antiga República Democrática da Alemanha, também foi alvo de vigilância, alguns anos após sua criação em 2007.

Fundado em 2013, o AfD entrou na Câmara dos Deputados da Alemanha com uma substancial bancada parlamentar, em 2017, tornando-se a primeira força de oposição à coligação governamental que junta os conservadores da CDU, da chanceler Angela Merkel, e os social-democratas do SPD.

Contudo, o AfD, que construiu o seu sucesso com posições radicais contra a política de imigração de Angela Merkel, tem perdido força nas sondagens nos últimos meses, afetado por severas disputas internas.

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