Início Mundo Seca leva governo cabo-verdiano a pagar 30% do alimento ao gado

Seca leva governo cabo-verdiano a pagar 30% do alimento ao gado

A medida, aprovada em Conselho de Ministros, recorda que aquela ilha, profundamente dependente também do turismo, setor estagnado há um ano devido à pandemia de covid-19, conta com 1.700 famílias dependentes da produção agrícola e pecuária, equivalente a 68% da população, contribuindo este apoio “para a segurança alimentar e atividade económica geradora de rendimento”.

A resolução define que a subvenção é atribuída pelo Governo de Cabo Verde, através do Ministério da Agricultura e Ambiente, no valor correspondente a 30% do custo do alimento, devendo o criador comparticipar os restantes 70%, medida que abrange “todos os criadores de gado ruminante na ilha da Boa vista”.

De acordo com o Governo, o principal produto resultante da criação de pequenos ruminantes na Boa Vista é o queijo de fabrico artesanal, “cuja tradição e apreciação vêm resistindo às secas ocorridas na ilha”.

“A atividade pecuária, enquanto atividade geradora de rendimento para as famílias, constitui um complemento às demais existentes na ilha, sobretudo a do turismo. Contudo, a ilha enfrenta mais um ano de seca, o quarto consecutivo, com resultados negativos na produção agropecuário, sobretudo na produção de forrageira, avaliada de quase nula”, reconhece o Governo.

A subvenção será atribuída aos criadores de gado para aquisição de ração e fardos de feno, “acordada com a empresa fabricante e distribuidora, através de ‘vales cheque’, visando a manutenção do efetivo ruminante e a segurança alimentar dos criadores da ilha da Boa Vista”.

“A perda de rendimento das famílias face à seca prolongada registada na Boa Vista foi agravada pela quebra acentuada de outros rendimentos provenientes do turismo, enquanto atividade dinamizadora e geradora de rendimentos na ilha, como consequência dos impactos negativos sociais e económicos provocados pela pandemia da covid-19”, reconhece o Governo, na mesma resolução.

O executivo liderado por Ulisses Correia e Silva justifica este apoio com a necessidade de “manter a capacidade produtiva do efetivo de ruminantes”, bem como a “estabilidade dos preços dos produtos de origem animal (carnes, leite e derivados) e a segurança alimentar dos criadores da ilha da Boa Vista”.