Início Mundo Deputado senegalês acusado de violação foi notificado pela Justiça

Deputado senegalês acusado de violação foi notificado pela Justiça

A notificação judicial segue-se ao levantamento da imunidade de Sonko pelo parlamento, a pedido do juiz, na semana passada. O deputado da oposição, que ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais de 2019, disse que não se apresentaria até que a convocação fosse confirmada.

Dois dos seus advogados, Demba Ciré Bathily e Etienne Ndione, relataram por telefone à agência de notícias francesa, AFP, a convocatória do seu cliente para se apresentar perante um juiz de instrução.

Porém, os advogados não disseram se Sonko se recusou ou não a apresentar-se, agora que a convocação é efetiva.

O caso tem vindo a causar grande tensão desde o início de fevereiro. O partido de Sonko denunciou, na última segunda-feira, a detenção no espaço de um mês de quase 80 pessoas, jovens apoiantes, conhecidos ativistas, como Assane Diouf, Clédor Sène e Guy Marius Sagna e, mais recentemente, 17 mulheres que planeavam manifestar-se a favor do deputado na sexta-feira.

As autoridades do país destacaram um grande número de polícias, em Dacar, para se prepararem para possíveis manifestações.

Sonko, de 46 anos, foi alvo de uma queixa, no início de fevereiro, de ameaças de violação e morte por uma empregada de um salão de beleza, onde se deslocou para fazer uma massagem.

O deputado nega as acusações e diz tratar-se de uma conspiração, a qual, segundo ele, foi montada pelo próprio Presidente, Macky Sall, para o manter fora das próximas eleições presidenciais, em 2024. O Presidente senegalês negou ter algo a ver com o caso.

A queixa contra Sonko levou a comparações com os problemas de Karim Wade, filho e antigo ministro do ex-Presidente Abdoulaye Wade, e de Khalifa Sall, o deposto presidente da câmara de Dacar, ambos condenados por irregularidades financeiras e impedidos de concorrer às eleições presidenciais de 2019.

Sall, de 59 anos, que foi eleito em 2012 e reeleito em 2019 e está impedido de concorrer a um terceiro mandato, pelo limite de dois mandatos introduzido após uma revisão constitucional aprovada em 2016.