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Bielorrússia: Governo começa a tramitar extradição da líder da oposição

“Tikhanovskaia está atualmente na lista de procurados. Os documentos relevantes para a sua extradição foram entregues ao Ministério Público”, disse o Comité de Investigação no comunicado publicado no portal da agência de notícias bielorrussa.

A Bielorrússia, em outubro passado, colocou Tikhanovskaia numa lista interestadual com a Rússia de pessoas procuradas.

O Comité de Investigação informou hoje no seu comunicado que concluiu uma investigação criminal contra quatro “aliados” de Tikhanovskaia e realizou buscas para “identificar e documentar as atividades ilegais de certas pessoas envolvidas na organização de distúrbios em massa durante as eleições presidenciais”.

“As forças de segurança receberam informações de que pessoas do círculo próximo de Svetlana Tikhanovskaia estavam a preparar motins e tomar prédios do Governo em Gomel”, no sudeste da Bielorrússia, para colocar os seus aliados na administração e comités executivos, disse a agência.

De acordo com o regime bielorrusso, para implementar o plano, foram procurados aliados entre militares e funcionários dos Ministérios do Interior e de Situações de Emergência, e os réus organizaram uma reunião “para planear as suas ações” no dia 05 de agosto e no qual, garante a Comissão, Tikhanovskaia participou.

A comissão assegura que “as atividades criminosas dos acusados foram travadas pela polícia, que prendeu os principais (suspeitos) entre 06 e 08 de agosto do ano passado”, um dia antes das eleições presidenciais, contestadas por alegada fraude pela líder opositora.

Svetlana Tikhanovskaia negou hoje qualquer envolvimento em supostos planos para organizar distúrbios em massa durante as eleições presidenciais e obter o controle de prédios do Governo, como declarou o Comité de Investigação da Bielorrússia.

“Durante a campanha eleitoral e os meses de protestos após as eleições, a equipa de Svetlana Tikhanovskaia comunicou-se e continua a comunicar-se com um grande número de bielorrussos”, disse a sua porta-voz, Anna Krasulina, à agência de notícias EFE.

“Alguns deles sempre estiveram e continuam focados em medidas radicais, mas Svetlana Tikhanovskaia nunca participou na elaboração de tais planos”, acrescentou.

A Comissão de Investigação publicou um vídeo do suposto encontro, mas de acordo com a assessoria de imprensa da líder da oposição, nele “constata-se que Tikhanovskaia saiu da sala para não continuar a discussão”.

“E, como mais de 200 dias de manifestação de protesto na Bielorrússia, Svetlana Tikhanovskaia e a sua equipa apenas apoiaram métodos pacíficos” de protesto, acrescentou a porta-voz.

O Presidente bielorrusso, Alexandr Lukashenko, venceu com mais de 80% dos votos contra 10% alcançados por Tikhanovskaia, segundo dados oficiais, resultado não reconhecido pelos países do Ocidente, que sancionou o regime pelo seu caminho antidemocrático e pela repressão policial à manifestações.

As eleições de 09 de agosto de 2020, consideradas fraudulentas, geraram os maiores protestos da história pós-soviética contra Lukashenko, no poder há mais de 26 anos.naom_5f32b0129115a.jpg