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Presidentes da Venezuela não são eleitos em Bruxelas, diz embaixadora

“Há 200 anos que enviamos a mesma mensagem, não mudámos nem um centímetro o nosso discurso: somos livres, somos independentes. Não temos absolutamente nada a ver com eles (Europa), respeitamo-los, mas eles não decidirão absolutamente nada por nós e nesse sentido não vamos ceder nem um milímetro”, disse.

Numa longa entrevista publicada pela agência de notícias russa Suptnik e reproduzida pelo diário venezuelano el Universal, a diplomata diz que a Europa continua “obsessionada, tentando manter o foco numa metodologia contrária ao Direito Internacional e que não gera os resultados que eles mesmos dizem querer gerar”.

“Quantos anos mais necessita a UE para entender que a Venezuela não vai mudar a sua independência, nem a sua autonomia eleitoral, pelo facto de que nos porem numa lista [de sancionados]?”, questionou.

Cláudia Salerno, que foi declarada “persona non grata” pela UE, em resposta à decisão de Caracas de expulsar a embaixadora da União Europeia, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, diz ainda que Bruxelas termina sempre os comunicados “fazendo uma chamada” para que “haja diálogo, para que se resolvam os problemas através do voto, de maneira pacífica”.

“Mas, uma lista de sanções nada tem a ver com essa mensagem (…) A contradição está no seio das instituições europeias e não na Venezuela. Entretanto, continuamos a enviar a mesma mensagem: os presidentes da Venezuela não se elegem em Bruxelas nem em Estrasburgo nas sessões plenárias do Parlamento Europeu, elegem-se na Venezuela”, frisou.

Salerno diz ainda que a Europa respondeu com mais sanções ao recente pedido da relatora especial da ONU, Alena Douhan, para levantar as medidas coercivas unilaterais contra a Venezuela.

“A UE não é um órgão supranacional, que está acima do sistema universal de direitos (…) e, nesse sistema, está o mais sagrado de todos, que é o Direito Internacional, que deve ser respeitado e protegido por todos”, afirma.

Cláudia Salerno começa a entrevista explicando que foi declarada ‘persona non grata’ pela UE, mas continua a ser embaixadora da Venezuela na Bélgica e no Luxemburgo.

Sobre as sanções, explica que foram promovidas por Espanha, França, Alemanha e Países Baixos, “sem consultar com os outros países, nem mediar, sem nenhum tipo de comunicação e sem o direito à devida defesa”.

O Governo venezuelano notificou na quarta-feira a chefe da delegação da UE em Caracas, a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, de que foi declarada ‘persona non grata’ e que deveria abandonar o país nas 72 horas seguintes.

Esta foi uma reação à decisão tomada na segunda-feira pelos chefes de diplomacia europeus de acrescentarem 19 pessoas à lista de personalidades ligadas ao regime venezuelano alvo de sanções por não reconhecer as eleições de 06 de dezembro, considerando que não cumpriram os padrões democráticos necessários.

Na quinta-feira, a UE retaliou e decidiu declarar a chefe da missão venezuelana junto das instituições europeias, Cláudia Salerno Caldera, como ‘persona non grata’.

Esta é a segunda vez que a Venezuela declara a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa como ‘persona non grata’.

A embaixadora vai sair do país na terça-feira, informou no sábado à Lusa fonte diplomática europeia, sem adiantar mais detalhes.

Em 29 de maio de 2020, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a sua expulsão, dando-lhe 72 horas para abandonar o país, depois de Bruxelas ter sancionado mais 11 funcionários de Caracas.

A 02 de julho, Nicolás Maduro saudou um acordo entre Bruxelas e Caracas para suspender a expulsão da diplomata e instou a UE a mudar a relação com o país sul-americano.

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