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"Receio que eles nunca tenham exatamente a certeza do que é sofrer"

O trabalho humanitário e os projetos solidários dos quais faz parte foram alguns dos grandes destaques da entrevista de Catarina Furtado no programa ‘Conta-me’, da TVI.

Uma conversa com Manuel Luís Goucha que foi transmitida este sábado, 27 de fevereiro, onde a apresentadora da RTP falou ainda dos laços familiares.

A minha mãe vem de uma família muito credenciada, abastada – advogados, pintores, juízes… A família do meu pai é mais modesta, a minha avó não sabia ler nem escrever, o meu avô era bombeiro“, lembrou.

Andei muito feliz nos dois mundos, ia para as duas casas igualmente feliz. Mas percebi muito bem as oportunidades que uns têm e outros não têm”, acrescentou.

Sempre disposta a ajudar as minorias, e com muitos trabalhos onde espalha a sua veia solidária pelo mundo, Catarina Furtado falou também destes valores que quer passar aos filhos, João Maria e Maria Beatriz.

Tenho muito receio pelo facto de terem muito mais do que eu alguma vez tive… Acho que eles são duas pessoas muito bem formadas, dois miúdos incríveis, mas o meu receio é que eles nunca tenham exatamente a certeza do que é sofrer”, confessou.

Não quero que eles sofram, mas que percebam o poder deles e que o poder não vem, seguramente, dos bens materiais, dos likes do Instagram… Eu sei que eles percebem, mas quero que percebam cada vez mais que aquilo que é importante é eles utilizarem o poder deles para mudar – por exemplo uma coisa que é da geração deles, em Portugal a violência no namoro atinge 57%. 68% acham normal e 57% já dissertam que foram vítimas”, acrescentou.

Catarina Furtado não deixou de admitir que é uma mãe “exigente” com os filhos, e que mais do que preocupada com as notas da escola, preocupa-se com os “valores” dos jovens.

A chegada da pandemia não ficou de fora, com a apresentadora a explicar que a filha tem sofrido mais com esta fase. “Aos 14 anos queres dar beijos, queres explorar os teus sentimentos, queres coscuvilhar com as amigas… Não está a viver nada disso”, destacou.

O medo da morte foi outro momento de destaque da conversa com Goucha. Já quase no final da entrevista, a apresentadora partilhou: “Não penso na minha morte, não tenho medo que isso me aconteça, tenho medo do dia em que já não puder abraçar os meus filhos“.

Eu já tinha medo da morte pela ausência dos pais, agora fica aqui registada a ideia de que não os ver vai ser… mas se calhar não sofro quando estiver lá em cima, não sei”, rematou.

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