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Nicolás Maduro ordena revisão de todas as relações com a Espanha

“Vamos rever aprofundadamente todas as relações com a Espanha, em todos os níveis, já basta de agressões”, disse.

Nicolás Maduro falava durante o Congresso Bicentenários do Povos, onde questionou visita da ministra dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Arancha González Laya, a Cúcuta (norte da Colômbia) para alegadamente apoiar a política do Governo do Presidente da Colômbia, Iván Duque, “contra os venezuelanos”.

«O que faz o chanceler de Espanha na fronteira da Colômbia com a Venezuela em vez de ir ao Mediterrâneo em busca de refugiados e de pessoas que fogem de África? Por que vem intrometer-se nos assuntos da Venezuela? Por que vai diretamente a Cúcuta falar contra a Venezuela?”, questionou.

“O nosso ministro das Relações Exteriores advertiu a tempo o Governo da Espanha”, disse, sublinhando que a venezuela responderá “de maneira contundente qualquer agressão que surja, seja de palavra, de ação, diplomática ou política”.

O Presidente da Venezuela frisou que o país não aceitará mais a “hipocrisia e os abusos” de Espanha.

“Já chega de humilhações, vá ao Mediterrâneo e ajude os refugiados, não se meta nos assuntos da Venezuela, chega de ingerência”, disse.

Arancha González Laya e a sua homóloga colombiana, Cláudia Blum, visitaram sábado um hospital e um albergue da Unicef que atendem migrantes venezuelanos que abandonaram o país para escapar à crise política, económica e social.

Em declarações aos jornalistas, junto da ponte que une a Colômbia e a Venezuela, explicou que visitou aquela localidade para tentar, “junto com a comunidade internacional, dar uma resposta aos venezuelanos que decidiram abandonar o seu país à procura de uma melhor vida” e “não para criticar nem dar lições à Venezuela”.

Segundo as autoridades de Migração da Colômbia, pelos quase 1,75 milhões de venezuelanos radicaram-se em território colombiano.

O Governo venezuelano notificou na quarta-feira a chefe da delegação da UE em Caracas, a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, de que foi declarada ‘persona non grata’ e que deveria abandonar o país nas 72 horas seguintes.

Esta foi uma reação à decisão tomada na segunda-feira pelos chefes de diplomacia europeus de acrescentarem 19 pessoas à lista de personalidades ligadas ao regime venezuelano alvo de sanções por não reconhecer as eleições de 06 de dezembro, considerando que não cumpriram os padrões democráticos necessários.

Entretanto, o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, entregou notas de protesto aos chefes das missões diplomáticas de Alemanha, Espanha, França e Países Baixos, afirmando que “estes quatro governos atuaram com maior má intenção para fomentar novos ataques, como estas medidas coercitivas, as sanções” contra a Venezuela.

Na quinta-feira, a UE retaliou e decidiu declarar a chefe da missão venezuelana junto das instituições europeias, Cláudia Salerno Caldera, como ‘persona non grata’.

Esta é a segunda vez que a Venezuela declara a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, como ‘persona non grata’.

Em 29 de maio de 2020, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a sua expulsão, dando-lhe 72 horas para abandonar o país, depois de Bruxelas ter sancionado mais 11 funcionários de Caracas.

A 02 de julho, Nicolás Maduro saudou um acordo entre Bruxelas e Caracas para suspender a expulsão da diplomata e instou a UE a mudar a relação com o país sul-americano.

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