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Myanmar: Mais dois mortos nos protestos contra golpe militar

A polícia disparou várias munições reais para dispersar um protesto na cidade de Dawei, no sul do país, atingindo uma dúzia de pessoas, uma das quais morreu, informou o ‘media’ local Dawei Watch.

Um jovem também foi morto em manifestações em Rangum, a antiga capital do país, após alegadamente ter sido baleado pela polícia, escreveu o diário Mizzima, que acrescenta ainda que pelo menos quatro pessoas ficaram feridas quando uma casa foi alvejada.

Myanmar está a viver hoje um novo dia de manifestações em massa, após a violência policial do dia anterior, quando 479 pessoas foram detidas sob a acusação de “protestos contra o Estado”.

Apesar da repressão do dia anterior, milhares de birmaneses voltaram hoje às ruas para rejeitar o golpe militar de 01 de fevereiro e exigir a libertação dos políticos eleitos detidos, incluindo a líder deposta e Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

A polícia em Rangum, a antiga capital e cidade mais populosa de Myanmar, voltou hoje a responder duramente, numa tentativa de dispersar a multidão e silenciar a dissidência contra os militares.

Até sábado, oito pessoas tinham morrido em resultado da violência desencadeada após o golpe, três delas mortas a tiro pela polícia, segundo dados da Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos na Birmânia, tendo sido detidas desde o início da revolta 854 pessoas, das quais 83 já foram libertadas.

A junta militar, chefiada pelo general Min Aung Hlaing, acusado de genocídio por alegadamente ter orquestrado a campanha de violência contra o grupo étnico rohingya em 2017, no oeste do país, afirmou que a polícia utiliza o mínimo de força contra as manifestações.

Os militares justificam o golpe de estado alegando fraude eleitoral cometida nas eleições legislativas de novembro, nas quais a Liga Nacional para a Democracia, partido de Suu Kyi, venceu por esmagadora maioria.

Tanto os observadores internacionais como a comissão eleitoral deposta pela junta militar após a tomada do poder negaram a existência de irregularidades, apesar da insistência de alguns comandantes do Exército, cujo partido detém 25% dos lugares no Parlamento.

A comunidade internacional tem anunciado sanções contra os líderes do golpe militar, incluindo o general Min Aung Hlaing, presidente do Conselho Administrativo de Estado e autoridade máxima em Myanmar.

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