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Myanmar. Embaixador na ONU pede fim do golpe e punição de responsáveis

“Precisamos da ação mais forte da comunidade internacional para terminar imediatamente o golpe militar, acabar com a opressão dos inocentes e restaurar o poder do povo no Estado”, disse o diplomata.

Kyaw Tun falou com voz embargada voz e foi fortemente aplaudido, no final do seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que se reuniu para uma sessão especial sobre Myanmar (antiga Birmânia).

Minutos antes, na mesma sessão, a enviada da ONU a Myanmar, Christine Schraner Burgener, que está proibida de entrar no país, tinha condenado “veementemente” as mais recentes medidas tomadas pela junta militar no poder, pedindo uma ação internacional para um regresso à democracia.

“O uso de força letal e o aumento das mortes (são) inaceitáveis”, disse Burgener, no seu apelo à comunidade internacional.

“As ações do exército não são justificáveis e devemos continuar a pedir a reversão desta situação inadmissível, esgotando todos os canais coletivos e bilaterais para devolver Myanmar ao caminho da reforma democrática”, acrescentou a enviada da ONU.

Os militares justificam o golpe de estado alegando fraude eleitoral cometida nas eleições legislativas de novembro passado, nas quais a Liga Nacional para a Democracia, partido de Suu Kyi, venceu por esmagadora maioria.

Tanto os observadores internacionais como a comissão eleitoral deposta pela junta militar após a tomada do poder, negaram a existência de irregularidades, apesar da insistência de alguns comandantes do Exército, cujo partido detém 25% dos lugares no Parlamento.

A comunidade internacional tem anunciado sanções contra os líderes do golpe militar, incluindo o general Min Aung Hlaing, presidente do Conselho Administrativo de Estado e autoridade máxima em Myanmar.

Na quinta-feira, a rede social Facebook bloqueou todos os perfis relacionados com o novo regime em Myanmar, incluindo os do Governo e dos meios de comunicação agora controlados pela junta militar, devido ao “grave registo de violações dos direitos humanos cometidas pelo Exército e o óbvio risco de incidentes violentos incitados pelos militares”.