Início Mundo Covid-19: Reino Unido mantém prioridade para vacinação baseada na idade

Covid-19: Reino Unido mantém prioridade para vacinação baseada na idade

“Há sinais positivos de que os riscos de hospitalização e admissão nos cuidados intensivos devido a covid-19 aumentam com a idade, e que em ocupações onde o risco de exposição ao SARS-CoV-2 é potencialmente maior, as pessoas mais velhas também são aquelas com maior risco de complicações graves”, justifica o Comité Conjunto de Vacinação e Imunização [Joint Committee on Vaccination and Immunisation, JCVI].

Assim, quando for concluída a primeira fase com os primeiros nove grupos prioritários, que inclui todas as pessoas com mais de 50 anos e as de menos idade que tenham comorbilidades de alto risco, deverão começar a ser vacinadas as pessoas com idades entre os 40 e 49 anos, depois aquelas com entre 30 e 39 anos e, por fim, entre os 18 e 29 anos.

Sindicatos representativos de polícias e professores mostram-se desapontados por não terem precedência, bem como uma associação de pessoas com asma, mas o presidente do JCVI, Wei Shen Lim, defendeu que é mais simples manter um sistema de prioridade baseado na idade.

“Operacionalmente, sabemos que a idade é uma maneira muito fácil e simples de estruturar um programa de vacinas. (…) Se olharmos para quem está em risco de doença grave, ou seja, de ser hospitalizado ou infelizmente de morrer de covid-19, mesmo dentro de grupos ocupacionais, são as pessoas mais velhas que correm mais risco em comparação com os indivíduos mais jovens”, afirmou hoje, numa conferência de imprensa.

Wei Shen Lim admitiu estar preocupado com a resistência de alguns grupos à vacinação, nomeadamente entre comunidades étnicas.

Os especialistas admitem que, com base nos dados, existe um risco agravado para pessoas de comunidades negras, asiáticas ou outros minorias étnicas, obesos ou vítimas de privação socioeconómica, mas optaram por não dar prioridade.

“O JCVI aconselha enfaticamente que os indivíduos desses grupos aceitem prontamente a vacina quando ela lhes for proposta, e que as equipas de vacinação devem utilizar a experiência e o conhecimento dos sistemas de saúde locais e dados demográficos, combinados com comunicações claras e atividades de divulgação, para promover a vacinação nesses grupos”, refere.

O plano de imunização britânico, iniciado em 08 de dezembro de 2020, completou a primeira etapa de administrar uma primeira dose a 15 milhões de pessoas dos quatro primeiros grupos prioritários, nomeadamente maiores de 70 anos, pessoas clinicamente vulneráveis e profissionais de saúde ou trabalhadores de lares de idosos, em 15 de fevereiro.

Em 16 de fevereiro começou a vacinação de todos os maiores de 50 anos, começando pelos de maiores de 65 anos e outros adultos com problemas de saúde graves, incluindo dificuldades de aprendizagem, num total de 17 milhões de pessoas.

As autoridades de saúde britânicas estão confiantes de que todos os adultos com mais de 50 anos receberão uma primeira dose da vacina até meados de abril e a totalidade da população adulta até ao fim de julho.

De acordo com os dados disponíveis, foram vacinadas até agora 18.691.835 pessoas com uma primeira dose, das quais 700.718 também receberam uma segunda dose.

Ao contrário das três semanas inicialmente sugeridas pelas farmacêuticas, as doses estão a ser administradas com um intervalo de até 12 semanas, o que alguns estudos parecem mostrar que não afeta a eficácia em termos de imunidade.

O Reino Unido registou até quinta-feira 122.070 óbitos desde o início da pandemia de covid-19, o balanço mais alto na Europa e o quinto a nível mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México.

A pandemia de covid-19 já provocou, pelo menos, 2,5 milhões de mortos no mundo, resultantes de mais de 112,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.185 pessoas dos 801.746 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Leia Também: AO MINUTO: Espanha mantém-se ‘fechada’. Desconfinar em meados de março?