Início Notícias 5G? Devia haver discussão sobre "aspetos técnicos", diz professor do IST

5G? Devia haver discussão sobre "aspetos técnicos", diz professor do IST

O leilão da tecnologia de quinta geração (5G) está a decorrer e prevê-se que as licenças seja atribuídas no decurso deste trimestre.

“O 5G tem estado hoje em dia muito nas bocas do mundo, como se costuma dizer, porque está a decorrer o leilão das frequências e, enfim, não vou estar a referir o ambiente que existe na área económica e social”, começa por dizer o também investigador do INESC-ID (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento).

“Infelizmente têm sido pouco discutidos alguns dos aspetos técnicos” do 5G, considera.

Trata-se de “aspetos da tecnologia que são muito importantes e que têm um grande impacto, não só na maneira como o leilão deveria ter sido feito, mas também depois na maneira como a utilização do 5G pode vir a ser feita e na capacidade que o 5G vai ter no futuro para fazer algumas das aplicações”, explica Luís Correia.

O investigador dá como exemplo a “partilha do espectro por muitos operadores”, que pode levar a “os operadores não terem depois espectro suficiente para atingirem o ritmo de transmissão máximo que vai permitir fazer certos serviços com valor de pico”.

“Isso são questões tecnológicas, não são questões de opinião, não são questões de pensar ou de se achar, são factos puros e duros, baseados em tecnologia, matemática, física”, frisa.

O processo do 5G tem sido bastante contestado pelas operadoras históricas, envolvendo processos judiciais, providências cautelares e queixas a Bruxelas de que o regulamento contém medidas “ilegais” e “discriminatórias” que incentivam ao desinvestimento.

Luís Correia aponta que, em 30 anos, a tecnologia mudou e alterou a forma como as pessoas lidam com o mundo.

“Quando foi feito o concurso para licenças dos operadores de comunicações móveis em 1990/91”, altura em que apareceu o GSM em Portugal, a segunda geração, “as expectativas que existiam do número de utilizadores eram extremamente baixas comparado com a realidade que nós temos hoje”, recorda.

Isso aconteceu nomeadamente porque “a experiência anterior” assentava em telemóveis “que pesavam cinco quilos, que custavam na altura, ao custo de hoje, cinco mil euros”.

O enorme sucesso que as comunicações móveis tiveram desde então levou a uma evolução tecnológica que faz com que, quando comparados com os antigos “equipamentos muito grandes, muito caros, que só permitiam falar, nada mais”, os equipamentos que existem hoje só podem ser chamados telemóveis por, “entre aspas, um abuso de linguagem”.

O telemóvel atual “permite falar, mas permite fazer tanta coisa” mais que “não é um telemóvel, é um computador que também permite comunicar”.

“A evolução das comunicações em 30 anos, com a internet, com os computadores, com a eletrónica, (…) ninguém conseguia” imaginar, só mesmo “as pessoas mais visionárias”, refere.

“Mas isso também nos dá ânimo para continuarmos a fazer muita investigação e a pensar em ideias loucas para daqui a 30 anos, que hoje em dia pensamos que são loucas de facto, mas se calhar em 30 anos não serão”, considerou.

Questionado sobre para quando espera a tecnologia de sexta geração, o 6G, o investigador vaticina que ela deve surgir dentro de 10 anos.