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Rússia acusa Ocidente de "egoísmo" e de aproveitamento político da Covid

No seu discurso na primeira sessão do ano do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Lavrov denunciou os interesses dos países ocidentais de “aproveitar a pandemia para punir governos indesejados” e para afirmar uma estratégia de pressão sobre adversários e inimigos.

Infelizmente, apesar da pandemia e da necessidade óbvia de conjugar os nossos esforços, alguns dos nossos parceiros ocidentais recusam-se a reconsiderar a sua linha egoísta e a abandonar as suas abordagens coercivas“, disse o chefe da diplomacia russa, perante as Nações Unidas.

Para Lavrov, a pandemia veio reavivar “velhos problemas como o racismo e a xenofobia”, dando os Estados Unidos e a União Europeia como exemplos de potências que procuram aproveitar-se da crise sanitária para impor as suas estratégias de controlo global.

Lavrov denunciou ainda a “discriminação contra a população de língua russa nos estados bálticos e na Ucrânia”, nos sistemas de ensino, acusando o Governo de Kiev de ter iniciado “um processo para retirar a língua das minorias nacionais da arena pública e da educação”, apesar de a língua russa ser usada por 30 a 50% da população que vive naquele país.

O chefe da diplomacia russa disse que a possibilidade de um falante russo receber educação na sua língua materna foi reduzida em 80% e acusou o Governo de Kiev de estar a tomar medidas para “destruir o multilinguismo e o multiculturalismo”.

O chefe da dipomacia russa, que interveio por videoconferência na conferência da ONU, explicou que estas situações estão a potenciar “a manipulação da opinião pública”, através de mecanismos de censura e com programas de “intolerância perante pontos de vista alternativos”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia também denunciou a proliferação de “campanhas agressivas de notícias falsas que prejudicam a estabilidade política nos estados e aumentam a desordem e a violência”.

“Aqueles que durante décadas deram ao resto do mundo lições sobre liberdade de expressão estão a mostrar-se intolerantes”, concluiu Lavrov, lembrando que a Ucrânia e os países bálticos estão a expulsar jornalistas russos e a encerrar os meios de comunicação em língua russa.

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