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Pelo menos 160 símbolos da Confederação foram retirados em 2020 nos EUA

Pelo menos 160 símbolos da Confederação – uma união composta por 11 estados do sul que defendiam o esclavagismo – foram retirados de espaços públicos nos Estados Unidos em 2020, de acordo com os dados contabilizados pelo Southern Poverty Law Center e partilhados com a Associated Press.

Estes são os números mais recentes da base de dados do Southern Poverty Law Center, ‘Whose Heritage?’, que tem acompanhado o movimento para remover os monumentos confederados desde 2015, ano em que um supremacista branco entrou numa igreja em Charleston, na Carolina do Sul, e matou nove pessoas. As vítimas eram todas negras.

“Estes símbolos racistas apenas servem para manter a história revisionista e a crença de que a supremacia branca continua a ser moralmente aceitável. É por isso que acreditamos que todos os símbolos da supremacia branca devem ser removidos dos espaços públicos”, vincou num comunicado Lecia Brooks, uma responsável do Southern Poverty Law Center.

Um dos 160 símbolos da Confederação retirados no ano passado foi o do mais famoso general confederado, Robert E. Lee. Uma estátua sua estava no Capitólio há 111 anos, a representar o estado da Virgínia.

No dia 6 de janeiro, quando milhares de apoiantes de Donald Trump invadiram o Capitólio, alguns com bandeiras da Confederação, já não encontraram a estátua no edifício. Foi removida semanas antes.

Será substituída por uma estátua de Barbara Johns, que em 1951, quando tinha 16 anos, fez uma greve devido às condições desiguais na sua escola segregada em Farmville.

As suas ações levaram a a uma decisão unânime do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que em 1954 considerou que a segregação de crianças nas escolas públicas era inconstitucional, ordenando a integração das escolas públicas em todo o país.

O Southern Poverty Law Center refere que 704 monumentos da Confederação continuam erigidos nos Estados Unidos. Removê-los em alguns estados poderá ser difícil, nomeadamente no Alabama, Geórgia, Mississippi, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Tennessee. Nestes estados os legisladores têm promulgado leis para proteger estes monumentos.

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