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Paris confirma detenção de cidadão francês pelo Irão

“Os serviços do ministério, em Teerão como em Paris, seguem com atenção a situação do nosso compatriota”, declarou o Quai d’Orsay, e quando Fariba Adelkhah, uma investigadora com dupla nacionalidade francesa e iraniana, permanece detida no Irão desde junho de 2019, suscitando trocas de acusações entre Paris e Teerão.

“Está a beneficiar de proteção consular prevista pela Convenção de Viena de 24 de abril de 1963″, acrescentou o ministério. Este procedimento permite verificar as condições de detenção, o estado de saúde e o acesso a um advogado para todo o cidadão francês detido no estrangeiro.

“A este título, e apesar da situação sanitária, recebeu visitas consulares e são mantidos contactos regulares com ele através da nossa embaixada em Teerão e com a sua família pelos nossos serviços em Paris”, prosseguiu o ministério, mas sem mais precisões sobre as circunstâncias da sua prisão e encarceramento.

Segundo o Le Point, este cidadão francês, um turista com 35 anos, foi detido pelas forças de segurança iranianas numa zona desértica situada na fronteira entre o Irão e o Turquemenistão.

Encontrava-se no Irão para efetuar um percurso pelo país numa pequena carrinha, e permanece detido na prisão Vakilabad de Machhad, no nordeste do país, precisa o semanário.

Na passada quinta-feira, e sem mais detalhes, o diário francês Le Fígaro tinha já revelado a prisão de um francês “num deserto e a manipular um ‘drone’ [aparelho aéreo não tripulado]”.

“Este jovem turista, detido ilegalmente desde há cerca de nove meses, enfrenta acusações contraditórias e falsas”, afirmou o advogado Said Dehghan, que também defendeu Fariba Adelkhah, na rede social Twitter.

“As autoridades não forneceram o mínimo dossiê nem a menor explicação sobre a sua detenção”, assinalou um próximo do detido citado pelo Le Point.

“Está de boa saúde e por três vezes conseguiu contactar por telefone com a sua família”, acrescentou.

Fariba Adelkhah, especialista em xiismo e do Irão pós-revolucionário no instituto superior Sciences Po Paris, foi por sua vez detida em 05 de junho de 2019 em Teerão.

Em maio de 2020 foi condenada a cinco anos de prisão por “conluio destinado a atentar contra a segurança nacional”, e “propaganda contra o sistema” político da República islâmica, acusações que sempre rejeitou.

A investigadora saiu em 03 de outubro da prisão de Evine e encontra-se sob prisão domiciliária em Teerão, com pulseira eletrónica, e proibição de se deslocar para além de um perímetro de 300 metros em redor do seu domicílio, segundo o seu comité de apoio.

As detenções de estrangeiros no Irão, em particular de binacionais, muitas vezes acusados de espionagem, multiplicaram-se desde a retirada unilateral dos Estados Unidos, em 2018, do acordo internacional sobre o nuclear iraniano e o restabelecimento de duras sanções norte-americanas contra Teerão.

No decurso dos últimos meses, o Irão procedeu a diversas trocas de prisioneiros com países que detinham cidadãos iranianos condenados, a aguardarem processo ou ameaçados de extradição para os Estados Unidos.