Início Mundo França "preocupada" com duas detidas no Irão e com uigures na China

França "preocupada" com duas detidas no Irão e com uigures na China

“Gostaria de reiterar a nossa profunda preocupação com a situação de Nasrin Sotoudeh, no Irão”, disse Jean-Yves Le Drian numa intervenção por videoconferência, apelando também à “libertação definitiva” de Fariba Adelkhah, em prisão domiciliária desde 3 de outubro de 2020, após 16 meses de detenção.

Le Drian denunciou ainda um “sistema institucionalizado de repressão” da China contra os muçulmanos uigures na região de Xinjiang (noroeste).

“Alguns países, a começar pelo Irão, consideram que as liberdades académicas, a liberdade de investigar, de ensinar, de publicar, devem estar subordinadas a abordagens que claramente se enquadram na tomada de reféns”, sublinhou o chefe da diplomacia de França.

Nasrin Sotoudeh, advogada e defensora dos direitos humanos, condenada a 12 anos de prisão em 2019, foi reencarcerada a 20 de janeiro após duas permissões de saída temporária por razões médicas.

Teve um teste positivo ao novo coronavírus na sua primeira saída, de 7 de novembro a 2 de dezembro, e foi libertada entre 8 e 20 de janeiro para exames cardiológicos após uma crise cardíaca.

Sotoudeh foi presa em 2018 após ter defendido uma mulher detida por se ter manifestado contra a obrigação das iranianas de usarem um véu.

Segundo os seus advogados, a ativista foi então condenada a uma pena suspensa de cinco anos por espionagem. Em 2019, foi novamente condenada a 12 anos de prisão “por ter encorajado a corrupção e o deboche”.

Especialista em xiismo e no Irão pós-revolucionário no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), Adelkhah foi detida a 5 de junho de 2019 em Teerão e condenada em maio de 2020 a cinco anos de prisão por “conluio com o objetivo de colocar em risco a segurança nacional” e “propaganda contra o sistema político” da República Islâmica.

A 3 de outubro a investigadora deixou a prisão de Evin e têm estado em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica e proibida de se deslocar a mais de 300 metros da casa, segundo o seu comité de apoio.

Sobre a situação dos uiguresna China, Le Drianindicou que “chegamda região chinesa de Xinjiang testemunhos e documentos concordantes, que dão conta de práticas injustificáveis contra os uigures e de um sistema institucionalizado de vigilância e de repressão em grande escala”.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou hoje a China de ter intensificado a repressão sobre os uigures e outras minorias étnicas de origem muçulmana no extremo oeste do país.

Segundo a HRW, pelo menos 250.000 pessoas foram condenadas e presas, entre 2016 e 2019, na região autónoma de Xinjiang, que tem cerca de 25 milhões de habitantes, a maioria dos quais muçulmanos.

Estas sentenças somam-se à prisão de um milhão de uigures em campos de reeducação política, denunciadas por várias ONG.

Pequim nega a existência dos campos e diz tratar-se de “centros de formação profissional” destinados a afastar os uigures do extremismo.

Os Estados Unidos consideram que a situação em Xinjiang é um “genocídio” e o parlamento do Canadá adotou na terça-feira uma declaração nesse sentido.