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Partidos da Geórgia querem manifestação contra detenção de Nika Melia

A detenção aconteceu hoje de manhã, quando centenas de agentes da polícia usaram gás lacrimogéneo contra os seus apoiantes e os líderes de todos os partidos de oposição, que estavam acampados em frente à sede do Movimento Nacional Unido (MNU) há quase uma semana, e arrastaram Nika Melia, líder do MNU, das instalações para o colocar em prisão preventiva.

Dezenas de apoiantes também foram presos durante a operação, que foi imediatamente denunciada pelos aliados norte-americanos e britânicos da Geórgia.

Nika Melia é acusado de ter organizado “violência em massa” durante grandes manifestações realizadas em 2019, acusações que o político rejeita, mas pelas quais pode ser condenado a nove anos de prisão.

A operação ocorreu após a demissão do primeiro-ministro, Giorgi Gakharia, na quinta-feira, que alegou haver um desacordo dentro do partido no poder sobre a aplicação da ordem judicial para prender Melia.

A primeira reação internacional foi da embaixada dos Estados Unidos, que afirmou, em comunicado, estar “profundamente preocupada” com a detenção de Nika Melia.

“A força e a agressividade não são a solução para resolver as divergências políticas na Geórgia. Hoje, o país voltou atrás no seu caminho para se tornar uma democracia mais forte na família das nações euro-atlânticas”, alertou a embaixada.

Também o embaixador britânico, Mark Clayton, admitiu, numa mensagem publicada na rede social Twitter, estar “chocado com o que aconteceu esta manhã na sede do MNU”.

O Ministério do Interior da Geórgia garantiu, entretanto, que a polícia “usou força proporcional e meios especiais” durante a operação.

O líder do partido da oposição Lelo, Mamouka Khazaradze, apelou, por seu lado, a “uma luta pacífica e incansável para defender a democracia georgiana”.

“A libertação dos presos políticos e a realização de eleições parlamentares antecipadas representam a única saída possível para a crise”, disse à imprensa, convocando, em nome dos partidos da oposição, manifestações frente à sede do Governo.

A detenção de Melia, de 41 anos, pode enfraquecer ainda mais a democracia na Geórgia, que já enfrenta uma crise política latente desde as eleições legislativas de outubro, quando os partidos da oposição contestaram os resultados da votação depois de o Georgian Deram (O Sonho Georgiano, em tradução livre), o partido no poder, ter obtido uma vitória por pouco.

Na segunda-feira, o parlamento confirmou a nomeação do ministro da Defesa, Irakli Garibashvili, como primeiro-ministro, tendo este anunciado que a sua primeira medida seria deter Melia.

O novo primeiro-ministro é visto como um apoiante leal de Bidzina Ivanishvili, fundador do partido Georgian Dream e o homem mais rico do país, suspeito de controlar secretamente o poder.

Para o especialista Matthew Bryza, do grupo de reflexão norte-americano Atlantic Council, a Geórgia chegou a um ponto em que “os partidos da oposição dizem que não podem mais ter assento no parlamento já que o sistema democrático georgiano está infetado”.

“Sem uma maior mediação do Ocidente, a situação pode ficar muito perigosa”, acrescenta o ex-diplomata.

Na semana passada, os Estados Unidos e a União Europeia expressaram preocupação com a decisão de deter Nika Melia, pedindo ao Governo georgiano que resolvesse a crise pacificamente.

No poder desde 2012, o partido Georgian Dream viu a sua popularidade cair devido à estagnação económica que o país vive e a acusações de estar a danificar os princípios democráticos daquela ex-república soviética.

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