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LGBTI+. Há "falta de consideração" na procriação medicamente assistida

“Há uma falta de consideração para com as pessoas que precisam da procriação medicamente assistida. É um preconceito contra todas as pessoas que não têm uma orientação sexual dentro da heterossexualidade”, defendeu Aria que integra a associação Décolonisons le Féminisme em declarações à Agência Lusa.

Várias associações feministas e de direitos LGBTQ+ juntaram-se junto à Assembleia Nacional, em Paris, para pedir aos deputados que o direito à maternidade para as mulheres solteiras ou em casal lésbico seja consagrado na lei da bioética, depois de o Senado ter retirado esses artigos da lei.

Este retrocesso no Senado aconteceu há uma semana, após uma primeira leitura positiva na Assembleia Nacional e mesmo a comissão de conciliação entre as duas câmaras não encontrou consenso.

No entanto, a posição do Senado, dominado pela direita, não surpreendeu os organizadores desta manifestação que juntou dezenas pessoas na capital francesa.

“Os movimentos de direita, extrema-direita e religiosos ainda estão muito presentes na sociedade e têm muito espaço mediático, conseguem pôr de lado os nossos direitos e as nossas lutas”, afirmou Angela, que também integra aDécolonisons le Féminisme.

Antes do voto no Senado, a Manif pour Tous [manifestação por todos], um movimento constituído para travar o casamento homossexual em França e ativa para lutar contra a abertura da procriação medicamente assistida a mulheres solteiras ou casais lésbicos, esteve também na rua.

“Não estou surpreendida que o Senado tenha retirado esses artigos porque são ainda os homens brancos, cis [corpo e expressão do mesmo sexo], já de uma certa idade, que decidem a nossa vida e coisas que não lhes dizem respeito como a maternidade”, sublinhou Heloise.

Pauline, mãe de um bebé de meses, marcou presença na manifestação da Assembleia nacional com a filha para mostrar que a realidade dos casais lésbicos que recorrem a este tipo de procriação existe, mas fazem-nos noutros países.

“Vim defender os direitos da família que constituo com a minha companheira, é importante estar aqui. Eu fiz o processo em Espanhae é preciso que as coisas mudem, porque esta realidade já existe. É só normalizar uma situação que já vivemos”, indicou Pauline.

A lei vai agora voltar à Assembleia Nacional, onde a maioria pertence ao partido do Presidente da República, Emmanuel Macron, e a última palavra sobre a inclusão dos artigos caberá aos deputados.

Para além de abranger as mulheres solteiras e casais lésbicos, estes movimentos querem ainda que haja mais abertura para as pessoas transexuais terem acesso a estes meios de reprodução.

“Há anos que estas leis não evoluem e queremos uma lei concreta que toque todas as pessoas que possam querer ter filhos dessa forma”, acrescentou Angela.

O Ministro da Saúde, Olivier Véran, disse que a lei deverá voltar a ser votada “até ao início do verão”.

“Não é impossível que aconteça porque eles vão querer parecer progressistas e a uma determinada altura é preciso que nos oiçam porque estamos na rua”, disse Clara, professora e bissexual, que participou hoje na manifestação.

Uma esperança para Pauline. “Somos um país antiquado sobre muitos aspetos. Ao mesmo tempo, tenho orgulho no meu país porque saímos à rua e participamos”, concluiu.

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