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Fundador da Blackwater violou o embargo de armas da ONU à Líbia em 2019

 

De acordo com o relatório, que foi divulgado na sexta-feira pelo The New York Times e pelo The Washington Post, Erik Prince destacou uma pequena força de mercenários ocidentais fortemente armados para o leste da Líbia ao serviço do comandante rebelde Jalifa Hafter, chefe do Exército Nacional Líbio (LNA).

A operação custou aproximadamente 80 milhões de dólares de acordo com o relatório e destinava-se a depor o governo reconhecido pela ONU com sede em Trípoli, então liderado por Fayez al Sarraj.

Os mercenários deitaram as mãos a lanchas, óculos de visão noturna e equipamento para intercetar comunicações inimigas.

Também tentaram comprar três helicópteros militares AH-1F Cobra, com elevado potencial de armamento, entregues pelos Estados Unidos à Jordânia, mas os funcionários em Amã abortaram o negócio, fazendo descarrilar a operação.

Os mercenários tinham chegado à Líbia na Primavera de 2019, durante uma ofensiva do Exército Nacional Líbio em Tripoli que acabou por falhar devido à chegada das tropas turcas em apoio ao Governo reconhecido pela ONU.

Quando a operação falhou, os mercenários, alguns britânicos, australianos, sul-africanos e americanos, fugiram nos barcos para Malta.

Erik Prince é famoso por ter fundado a Blackwater (agora chamada Academi), uma empresa paramilitar que vendeu a um grupo de investimento em 2010 e que esteve implicada em graves violações dos direitos humanos durante a invasão do Iraque pelos EUA.

Quatro empreiteiros de Blackwater foram condenados a diferentes penas de prisão e um deles, Nicholas Slatten, a prisão perpétua pelo assassinato de 14 civis no Iraque em 2007, enquanto o Erik Prince chefiava a empresa.

Nos seus últimos dias no cargo, Trump perdoou os quatro empreiteiros.

Erik Prince foi um entusiasta aliado de Trump durante a sua campanha da Casa Branca de 2016, para a qual contribuiu com doações substanciais; tinha ligações ao controverso estratega Stephen Bannon, uma vez que a sua irmã, Betsy DeVos, era a secretária da Educação do antigo presidente.