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"Benfica tem jogadores para jogar bem numa tática com dois centrais"

Diante do Sp. Braga, do Sporting e agora do Arsenal, Jorge Jesus quis utilizar um sistema de três centrais. Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen foram titulares no Olímpico de Roma, sendo que o central brasileiro fez a sua estreia na equipa encarnada.

Perante mais um encontro com este sistema de 3-5-2 utilizado pelas águias, o Desporto ao Minuto falou com o treinador Álvaro Magalhães, também antigo defesa do Benfica, para perceber que vantagens pode ter para o clube da Luz.

“É um sistema muito defensivo. De vez em quando há desequilíbrios, mas na minha opinião a equipa ainda não está bem afinada nesse sistema. Não há muita pressão sobre o portador da bola e ofensivamente a equipa também ainda não demonstrou a qualidade que os jogadores têm. Respeito muito o critério e a ideia de Jorge Jesus, mas os laterais têm de atacar muito e saber defender. Os adversários com muita qualidade sabem aproveitar os espaços do Benfica. O Jesus está a tentar que a equipa não sofra golos, mas também tem de os marcar. Na quinta-feira marcou, de grande penalidade, mas na 1.ª parte o Benfica quase não foi à baliza do Arsenal… O grande receio agora é não sofrer golos e isto porque o Jorge Jesus não tem o plantel que tinha quando chegou [em 2009] ao Benfica. Era um coletivo muito forte e com grandes jogadores”, começou por dizer Álvaro Magalhães. No entanto, o técnico de 60 anos não acredita que esta seja a solução para o Benfica.

“Sou defensor que o sistema tático utilizado tem que ver com o adversário que se enfrenta, mas acho que o Benfica tem jogadores para construir uma boa equipa numa tática com dois centrais, capaz de ganhar muito mais do que perder”, frisou.

Notícias ao Minuto© Getty Images

Sobre Lucas Veríssimo, o antigo lateral classificou como “razoável” a exibição do brasileiro.

“Com duas semanas cá em Portugal não se saiu mal. O entrosamento não foi mau, mas houve ali momentos do jogo onde houve espaços e o Arsenal podia ter aproveitado. Em termos globais, não esteve muito mal num sistema de três centrais, que necessita de mais treino. O jogo também não permitiu tirar grandes ilações porque foi muito lento”, referiu Magalhães.

Num outro aspeto defensivo, neste caso no que diz respeito ao guarda-redes, Odysseas foi relegado para o banco de suplentes. Algo que deixou o antigo adjunto das águias surpreendido.

“É uma troca do treinador. Para mim, o Odysseas tem estado muito bem e em quantos lances é que ele não salvou a equipa? Foi uma surpresa para mim também ele não jogar. Acho que não foi pelo guarda-redes que o Benfica deixou de ganhar, o Odysseas tem sido dos melhores jogadores da equipa”, enalteceu.

2020 vs. 2009

Conforme disse acima, Álvaro Magalhães elogiou a equipa do Benfica em 2009, ano em que Jorge Jesus orientou a formação lisboeta pela primeira vez. Na altura com nomes como Ramires, Aimar, Saviola, Javi García, David Luiz ou Luisão, questionámos o técnico sobre a qualidade de uma e outra equipa. Na resposta… o treinador foi perentório.

“Nem há comparação. Penso que estes jogadores em relação aos de 2009 nem jogavam como titulares. Os jogadores daquela equipa tinham outro nível, uma classe e qualidade, que estes jogadores nem teriam hipótese de jogar. Mas não vamos fazer comparações com outros anos. Nesta altura, com o investimento que houve, se calhar era possível contratar grandes jogadores, até a nível nacional. Basta ver o exemplo dos jogadores que foram contratados pelo Sporting. Como se costuma dizer, para contratar no estrangeiro é preciso ele ser melhor que o jogador português. Esta não é uma crítica ao Benfica, mas em 2009 era uma equipa totalmente diferente”, rematou.