Início Mundo Sánchez considera inadmissível violência em protestos de apoio a rapper

Sánchez considera inadmissível violência em protestos de apoio a rapper

Sánchez falou pela primeira vez publicamente sobre os distúrbios que ocorreram nas últimas três noites no final de manifestações pela libertação do “rapper” Pablo Hasel, que foram encorajadas pelo líder do grupo parlamentar do Podemos (extrema-esquerda), parceiro do Partido Socialista (PSOE) na coligação governamental.

O chefe do Governo não se referiu explicitamente à atitude do partido de Pablo Iglesias, seu segundo vice-presidente, em relação aos protestos violentos, mas insistiu que não se pode admitir qualquer tipo de violência.

A oposição de direita espanhola multiplicou nos últimos dias os ataques ao Governo de coligação, no qual também são visíveis tensões entre socialistas e extrema-esquerda sobre a resposta a dar às manifestações de apoio ao “rapper”.

O Partido Popular (direita) colocou o primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, no centro das suas críticas após a terceira noite de tumultos, quinta-feira, principalmente em Barcelona, capital da região espanhola da Catalunha, exigindo que ele quebrasse o seu silêncio, porque é “responsável” pelo facto de o Podemos ainda estar no executivo.

A chefe do grupo parlamentar do PP, Cuca Gamarra, e o porta-voz nacional do partido e presidente da câmara de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, exigiram hoje uma declaração pública do chefe do executivo e a demissão do segundo vice-presidente, Pablo Iglesias, líder do Podemos.

A direita espanhola concentrou os seus ataques principalmente no líder do Podemos, Pablo Iglesias, o número três do governo, que criticou a prisão de Pablo Hasél e fez várias declarações em que afirmava que Espanha não era uma democracia plena.

A Espanha viveu na última noite o terceiro dia consecutivo de protestos, que nalgumas localidades se converteram em distúrbios, em reação à prisão do “rapper” catalão Pablo Hasél condenado por fazer a glorificação do terrorismo e injuriar a monarquia.

Os protestos violentos têm-se concentrado em Barcelona, onde grupos de manifestantes queimaram caixotes do lixo e atiraram pedras, garrafas e fogo de artifício contra a polícia regional, os Mossos d’Esquadra, mas na noite de quarta-feira também houve distúrbios em Madrid.

O líder do grupo parlamentar do Podemos, Pablo Echenique, tem estado no centro da controvérsia, depois de ter enviado uma mensagem na rede social Twitter em que dava o seu apoio aos manifestantes, ao mesmo tempo que decorriam os confrontos com a polícia.

“Todo o meu apoio aos jovens antifascistas que exigem justiça e liberdade de expressão nas ruas”, escreveu ele.

A prisão do ‘rapper’ – que acumula outras sentenças, uma delas de dois anos que foi suspensa em 2019 – desencadeou a onda de protestos na terça-feira à noite.

Pablo Hasél tornou-se um símbolo da liberdade de expressão para a extrema-esquerda espanhola, depois de ter sido condenado por ‘tweets’ em que insultava as forças de ordem espanholas e atacava a monarquia.

A sua situação legal está a ter uma considerável atenção pública porque acontece no seguimento de uma série de outros artistas e personalidades dos meios de comunicação social que foram levados a julgamento por violarem a Lei de Segurança Pública espanhola de 2015, que foi promulgada pelo Governo anterior do Partido Popular (direita) e criticada por organizações de direitos humanos.

O atual executivo de coligação de esquerda de Espanha quer alterar o código penal do país para eliminar as penas de prisão por ofensas envolvendo a liberdade de expressão, especialmente quando se trata da forma de expressão artística.

Entretanto, o Podemos também afirmou que vai trabalhar para conceder um indulto a Hasel.

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