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ONU condena ataque a escola na Nigéria apela á libertação de crianças

Num comunicado emitido pelo seu porta-voz, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou que “os ataques às escolas e outras instalações educativas são abomináveis e inaceitáveis”.

Na mesma nota, Guterres apelou às autoridades nigerianas para “não pouparem esforços para salvar os raptados e responsabilizar os responsáveis por este ato”.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também condenou o ataque “nos termos mais fortes possíveis” e apelou à libertação imediata e incondicional das crianças que possam estar desaparecidas, e ao seu regresso em segurança às famílias.

“Os ataques às escolas são uma violação dos direitos das crianças. As crianças devem sentir-se sempre seguras em casa e na escola – e os pais não devem precisar de se preocupar com a segurança dos seus filhos quando os mandam para a escola pela manhã”, disse Peter Hawkins, representante da Unicef na Nigéria, num comunicado.

“Reconhecemos os esforços que estão a ser envidados pelo Governo da Nigéria para o regresso em segurança das crianças desaparecidas”, acrescentou Hawkins.

Este ataque ocorre cerca de dois meses depois de mais de 300 estudantes terem sido raptados num outro ataque semelhante a uma escola, em Kankara, estado de Katsina, a cerca de 280 quilómetros (173 milhas) a norte. Os estudantes raptados nesse ataque foram, entretanto, libertados, referiu a nota da ONU.

Os raptos são uma lembrança sombria do rapto, em abril de 2014, em que 276 raparigas foram levadas do seu dormitório escolar em Chibok pelos rebeldes do Boko Haram. Muitas delas continuam desaparecidas até hoje.

Na Nigéria continuam em curso negociações para a libertação das 42 pessoas – professores, estudantes e familiares – raptados na quarta-feira no internato.

As negociações envolvem inclusive um imã, que foi enviado para se encontrar com os raptores, anunciaram hoje as autoridades locais, segundo a agência de notícias France-Presse.

No ataque ao internato na escola secundária pública, em Kagara, uma criança foi morta tiro e o grupo de atacantes levou consigo 27 alunos, três professores e 12 membros da família de funcionários do colégio, de acordo com as autoridades estatais.

As regiões noroeste e central da Nigéria têm sido alvo de ataques de grupos criminosos – conhecidos genericamente como “bandidos” – que estão a intensificar os raptos por resgate e roubo de gado.

Estes bandos criminosos são motivados pela ganância, mas alguns deles estabeleceram ligações com grupos ‘jihadistas’ no nordeste.

“As discussões estão em curso (com os raptores) e foram desenvolvidas múltiplas estratégias”, disse hoje o comissário de Informação do Estado do Níger, Muhammad Sani Idris.

As autoridades locais autorizaram um imã, Ahmad Gumi, a encontrar-se com membros do bando armado para participar nos esforços de libertação.

“Muitos destes bandidos afirmam ser muçulmanos e até trouxemos livros islâmicos para eles”, disse Idris. “Alguns deles começam a cair em si e a expressar remorsos”, acrescentou.

Não foi feito nenhum pedido de resgate e nenhum será pago, assegurou.

Algumas horas após o ataque, o Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, ordenou às forças de segurança que “devolvessem imediatamente todos os prisioneiros ilesos” e o Exército e a polícia disseram na quinta-feira que estavam a seguir os raptores.

O governador do estado do Níger, Abubakar Sani Belo, encontrou-se com o imã Gumi após a sua reunião com os raptores.

“Queremos trazê-los de volta por todos os meios. Estamos a fazer tudo o que podemos”, afirmou o governador, acrescentando: “Estamos a fazer tudo o que podemos, muito já foi feito, por isso penso que estamos a chegar à fase final”.

O rapto de Kankara, em dezembro, causou uma agitação global e reacendeu memórias do rapto pelo grupo terrorita Boko Haram, em 2014.

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