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Como manter o coração saudável em tempos de pandemia? Médico responde

A Covid-19 invadiu e dominou porque é uma ameaça de saúde muito grave, e só com grande disciplina cívica é possível diminuir e controlar a sua propagação e minimizar os seus efeitos. Os estudos disponíveis apontam para uma mortalidade global de cerca de 2%, que aumenta muito significativamente com a idade, sendo superior a 15% nos doentes com mais de 80 anos. Mas a acrescentar a esta mortalidade, devemos insistir que descuidar outros cuidados de saúde pode aumentar o espaço e o tempo para outras doenças evoluírem, como as doenças cardiovasculares ou os cancros.

Em Portugal, as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 30% das mortes, e o enfarte do miocárdio mata em média 12 pessoas por dia. Importa saber mais sobre estas doenças, os sinais a que deve estar atento e que medidas pode adotar para cuidar do seu coração. 

Quais são as doenças mais comuns que afetam o nosso coração?

É comum compararmos o coração ao motor da nossa existência biológica, com a função principal de bombear sangue e assim irrigar todos os nossos órgãos.

Imagine o coração como uma casa, uma moradia: tem um sistema de canalização (artérias coronárias), que podem entupir com gordura e provocar a doença isquémica; tem um sistema elétrico que no caso de avaria origina as arritmias; tem portas e janelas que são as válvulas e cujas dobradiças podem enferrujar causando doença valvular e finalmente as paredes, que nesta metáfora correspondem ao músculo cardíaco, e que adoecendo causam as cardiomiopatias. São os quatro grandes grupos de doenças do coração.

A que sintomas devemos estar alerta? 

A apresentação clínica da doença cardíaca pode em muitos casos e numa fase precoce ser assintomática (sem qualquer sintoma associado), pelo que é importante a vigilância clínica. Há quatro sintomas que devem obrigar a avaliação médica: dor torácica; cansaço; palpitações; e desmaio.

Notícias ao MinutoLuís Ferreira dos Santos© DR

Não deve adiar a procura de resposta clínica pois pode trazer consequências graves para a saúde. As unidades de saúde são locais seguros pelo que não deve ter receio de procurar o seu médico. 

Que hábitos de vida agravam ou previnem o aparecimento dos problemas cardiovasculares?

– O que comemos: a nossa alimentação diária está muito ligada ao futuro da saúde no nosso coração. Idealmente deve ser composta por carnes brancas ou peixe e muitos legumes, deixando pouco espaço para massas, arroz e batata. A carne de vitela e sobretudo a de porco deve ser só excecionalmente consumida, assim como os açúcares. A tendência durante o confinamento é comermos mais e pior;

– A bebida de eleição deve ser a água e o consumo de bebidas alcoólicas, a acontecer, deve ser muito ligeiro;

– O exercício físico: o nosso horário deve contemplar pelo menos cinco vezes por semana a prática de 30 minutos de atividade física constante. O melhor exercício é a caminhada. Deve caminhar sozinho ou com alguém que viva em sua casa, preferindo trajetos pouco frequentados. Se não for possível, caminhe dentro de casa;

– Fumar retira em média 6-8 anos de vida, o tabaco mata 10% das pessoas no mundo por ano (aproximadamente 6 milhões de pessoas);

– Manter o peso controlado.

Uma mudança concertada de hábitos, em adulto, pode aumentar a esperança de vida das mulheres em 14 anos e a dos homens em 12. Em conjunto, estes cinco fatores (alimentação, álcool, exercício, tabaco e peso) reduzem em 82% o risco de morte por doenças cardiovasculares e em 65% o risco de morte por cancros.

Além disso, devemos dar atenção ao controlo de doenças que aumentam o risco cardiovascular como a hipertensão arterial, o colesterol alto ou a diabetes e o controle eficaz das mesmas vai influenciar o destino do nosso coração. É importante não faltar às consultas que tiver agendadas e cumprir a medicação de forma escrupulosa e sem deixar acabar nenhum medicamento.

Se o controlo do risco cardiovascular foi sempre importante, é ainda mais em tempos de pandemia.