Início Mundo Amnistia reúne quase 200 mil assinaturas pela libertação de Navalny

Amnistia reúne quase 200 mil assinaturas pela libertação de Navalny

“Um total de 195.482 assinaturas oriundas de diferentes países foram recolhidas para exigir a libertação imediata do político da oposição russa Alexei Navalny”, referiu a AI num comunicado.

De acordo com a mesma nota informativa, o documento da petição foi hoje entregue à administração presidencial russa pela chefe do escritório da AI em Moscovo, Natalia Zviaguina, e parte das assinaturas recolhidas também foram enviadas para embaixadas da Rússia em diferentes países.

“Os nossos apoiantes e todas as pessoas que assinaram a petição concordam que a detenção e a prisão de Alexei Navalny têm um fundo político e um caráter arbitrário”, afirmou Natalia Zviaguina.

A AI acrescentou ainda que irá prosseguir com a campanha internacional para a libertação do opositor russo e de todos os prisioneiros de consciência russos.

Na quarta-feira, a Rússia acusou o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) de “ingerência” e “pressões” nos assuntos internos do país, após o pedido desta jurisdição para a “libertação imediata” de Navanly.

“É um golpe infligido ao Direito Internacional e face ao qual o TEDH, na minha perspetiva, ainda não avaliou as consequências”, afirmou, na quarta-feira, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova.

Antes, o ministro da Justiça russo também tinha considerado não existir “base legal” para a decisão do tribunal europeu.

O TEDH, o braço judicial do Conselho da Europa, ordenou “com efeito imediato” a libertação do opositor russo Alexei Navalny, ao argumentar a “existência de risco” para a sua vida.

Na deliberação, a instância considerou igualmente que o não cumprimento desta decisão implica uma transgressão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Os países ocidentais, em particular os Estados Unidos e os Estados-membros da União Europeia, têm apelado à libertação do opositor, detido desde o seu regresso à Rússia em 17 de janeiro após uma suposta tentativa de envenenamento no verão passado e um longo período de convalescença na Alemanha.

O Ocidente também tem condenado a repressão de manifestações ocorridas na Rússia no final de janeiro e no início de fevereiro.

A Rússia tem rejeitado as acusações sobre o envolvimento do Kremlin no envenenamento de Navalny com um agente neurotóxico e considera as críticas ocidentais como uma ingerência nos seus assuntos internos.

Em 02 de fevereiro, a justiça russa condenou Navalny, de 44 anos, a uma pena de três anos e meio de prisão ao tornar efetiva uma sentença suspensa em 2014, um julgamento considerado arbitrário pelo TEDH.

No entanto, a sentença impôs que fossem descontados os dez meses em que Navanly permaneceu em prisão domiciliária, devendo assim cumprir dois anos e oito meses.

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